‘Eu, aluno, declaro que usei IA’: veja o que universidades permitem e proíbem em trabalhos e pesquisas
AI Summary
Brazilian universities are developing their own guidelines for AI use in academic settings as the National Education Council prepares national directives. Institutions like Unesp and Unifesp have published frameworks classifying permitted and prohibited uses of AI tools such as ChatGPT and Gemini in coursework and research.
Unesp publicou manual com regras sobre o uso de IA Arquivo Pessoal Não adianta fingir que a inteligência artificial não existe, concluíram reitores e professores do ensino superior. Eles perceberam que qualquer tentativa de proibir 100% o uso de ferramentas como ChatGPT e Gemini pelos alunos seria em vão. Mas como garantir que esse tipo de tecnologia não vá prejudicar a formação dos jovens nem distorcer os resultados de avaliações? 📈Contexto: O Conselho Nacional de Educação (CNE) está discutindo um parecer que criará diretrizes nacionais para o emprego da IA na educação pública e privada, abrangendo todas as etapas de ensino. Até a última atualização desta reportagem, nesta segunda-feira (16), o texto ainda estava em aberto, aguardando as últimas recomendações do Ministério da Educação (MEC). Nos próximos dias, deve ser votado pelos conselheiros e encaminhado para consulta pública. Enquanto essa resolução não é finalizada, universidades públicas brasileiras optaram por elaborar e publicar seus próprios “manuais” com regras e recomendações sobre o uso de inteligência artificial no contexto acadêmico. Na última semana, por exemplo, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou um guia para os alunos e os docentes da graduação, classificando as práticas em três categorias: ✅❌PODE Traduzir textos, parafrasear parágrafos, elaborar resumos e obter explicações adicionais; Revisar textos produzidos (gramática e ortografia); Criar esboços, roteiros, cronogramas e mapas mentais; Gerar imagens, vídeos e animações, compor músicas, criar apresentações e desenvolver jogos educativos; Traduzir textos para fins de pesquisa, desde que a tradução seja cuidadosamente revisada e validada. ❌NÃO PODE Submeter trabalhos gerados por IA como se fossem produções originais sem declaração explícita; Praticar plágio, deixando de citar adequadamente obras que a IA pode ter incluído nos resultados; Utilizar IA em provas, testes e avaliações sem autorização expressa do docente; Compartilhar informações confidenciais ou protegidas por direitos autorais; Produzir desinformação (deepfakes) ou simular resultados experimentais sem explicitar o uso da ferramenta. 😑DEPENDE: Gerar partes específicas de trabalhos (a permissão varia de acordo com a disciplina e as diretrizes do professor); Fazer tarefas em grupo (as diretrizes devem ser explicadas pelo docente e combinadas com transparência entre todos os integrantes da equipe). “Em um trabalho de conclusão de curso, o que nós esperamos é que o aluno não utilize de forma integral a inteligência artificial para a construção do seu texto. Ela não pode fazer a pesquisa por ele ou escrever por ele, mas pode corrigir erros gramaticais ou ajudar a encontrar referências”, explica Denis Salvadeo, professor da Unesp e um dos autores do guia. Em dezembro de 2025, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aprovou um documento com regras específicas para a pós-graduação. “A comunidade, tanto alunos quanto professores, não tinha uma orientação do que poderia ser feito. Até onde poderia usar IA em um trabalho ou uma pesquisa?”, afirma Luiz Leduíno de Salles Neto, docente do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (ICT/Unifesp). “Agora, nossas diretrizes estabelecem que deve haver transparência: o autor deve indicar onde ele usou inteligência artificial. E aí, vai caber aos pares [outros pesquisadores da área], aos avaliadores e aos professores analisarem se o uso é adequado ou não.” Tudo documentado e combinado com o professor UFBA lançou guia com orientações sobre uso de IA por alunos e professores Reprodução Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o chamado “Guia para Uso Ético e Responsável da Inteligência Artificial Generativa” destaca a importância de o professor de cada disciplina estipular o que é permitido em determinada atividade. O docente pode exigir, por exemplo, que o estudante descreva: a ferramenta de IA utilizada em um trabalho; o prompt (comando) enviado e a resposta obtida. “Se você simplesmente dá um comando, recebe um texto de volta e entrega esse texto, as habilidades de raciocínio, de acúmulo, de ligação de ideias e de síntese não são desenvolvidas. Foi só a máquina. Você entrega a atividade, mas não desenvolve a aprendizagem”, diz Adriano Peixoto, professor e membro da comissão de IA da UFBA. “Para a universidade, o que a gente quer é justamente que o aluno aprenda, que ele desenvolva um senso crítico. Por isso, é importante exigir que ele explique por que usou a IA, qual foi o padrão de interação e qual a interpretação feita sobre a resposta.” Na resolução sobre IA na pesquisa e na pós-graduação, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também deixa claro: “É obrigatória a inclusão de uma declaração explícita sobre o uso de IAG [inteligência artificial generativa] em todos os documentos finais submetidos à avaliação na Unifesp ou encaminhados para publicação.” IA como assistente, não como ‘titular’ Em geral, o objetivo central das uni