Estudo do NetLab indica que Kwai descumpre regras do TSE sobre anúncios eleitorais
AI Summary
A study by NetLab at UFRJ found that the Kwai platform does not fully comply with Brazil's electoral advertising transparency rules set by the TSE, limiting the ability to monitor paid political ads. The platform claims its electoral compliance plan was approved by TSE, while the TSE is reviewing the report for possible action.
Prédio do Tribunal Superior Eleitoral é visto durante o entardecer em Brasília Antonio Augusto/Secom/TSE Um estudo do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que o Kwai não cumpre integralmente as exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para publicidade político-eleitoral e dificulta a fiscalização dos anúncios pagos que circulam na plataforma. O material foi obtido com exclusividade pelo g1. O levantamento não demonstra que anúncios irregulares estejam circulando no Kwai. O problema apontado é a falta de condições para verificar de maneira abrangente se isso ocorre. Segundo o NetLab, essa mesma análise será feita em outras plataformas que oferecem anúncios, como TikTok e Meta (Instagram e Facebook). Segundo o documento sobre o Kwai, a biblioteca de anúncios da rede social não informa com precisão os gastos e a quantidade de pessoas atingidas, não apresenta o perfil do público efetivamente alcançado e limita a busca e a coleta de dados. A NetLab disse que vai apresentar o levantamento ao TSE. O detalhamento de informações e ferramentas é exigido pela Justiça Eleitoral. A regulamentação estabelece que o cumprimento das obrigações de transparência é requisito para o credenciamento de empresas que pretendam oferecer impulsionamento eleitoral, serviço pago por campanhas para ampliar a distribuição de conteúdos. Em resposta ao g1, o Kwai afirmou que seu Plano de Conformidade Eleitoral para 2026 foi revisado e aprovado pelo TSE e que suas ferramentas foram desenvolvidas para atender à regulamentação. A empresa disse que o acesso à ferramenta que permite extrair dados automaticamente para analisar anúncios em escala é possível mediante solicitação pelo Portal de Solicitação de Aplicação da Lei. “Eventuais falhas técnicas identificadas em seu funcionamento serão analisadas pelas equipes responsáveis, com a adoção dos ajustes necessários, quando aplicável”, informou o Kwai. Procurado, o TSE informou que o conteúdo do relatório está sendo avaliado e que "tomará providências" nos termos da resolução que trata da propaganda eleitoral. Em entrevista ao g1, a diretora do NetLab, Marie Santini, explicou que as limitações impedem verificar se há publicidade irregular circulando na plataforma. “O TSE tem que proibir o Kwai de rodar anúncios, porque ele não está atendendo às resoluções. E isso pode estar interferindo na eleição. É uma plataforma que tem uma audiência muito grande na rede brasileira: 40% dos usuários brasileiros usam o Kwai, só que é mais classe C, D e E, não é classe A e B. [...] Tem mais usuários que o LinkedIn e o X e está rodando anúncio sem cumprir a resolução. Então, é um ambiente propício para ter muito anúncio irregular, campanha irregular, e a gente não está conseguindo observar”, afirmou. Agora no g1 O Kwai participou, em 16 de julho, de uma reunião entre o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, e representantes de plataformas digitais para firmar compromissos de combate à desinformação nas eleições. A empresa mantém ainda uma colaboração com o tribunal para disponibilizar orientações oficiais sobre o pleito de 2026 dentro da plataforma. Presidente do TSE, ministro Nunes Marques, em reunião com representantes de plataformas digitais para firmar parcerias contra a desinformação, em 16 de julho de 2026 Luiz Roberto/TSE Os pesquisadores do NetLab avaliaram a Biblioteca de Anúncios Políticos ou Eleitorais do Kwai a partir de 11 critérios baseados nas normas do tribunal. Segundo o estudo, cinco não foram atendidos, três foram cumpridos integralmente e três tiveram atendimento parcial ou não puderam ser plenamente verificados. A equipe analisou ainda funcionalidades de busca, consulta, filtragem e extração de dados. O levantamento foi encerrado em 16 de setembro de 2026. Os cinco descumprimentos apontados são: Gastos: divulgação de faixas de valores, sem informar quanto foi efetivamente desembolsado por anúncio. Alcance: apresentação de intervalos amplos de exibições, sem precisão sobre a quantidade de pessoas atingidas. Audiência: ausência das características do público que efetivamente recebeu a publicidade. Busca: impossibilidade de pesquisar anúncios por palavras-chave ou termos de interesse. Coleta: ausência de uma API, ferramenta que permite extrair dados automaticamente para analisar anúncios em escala. Biblioteca de anúncios do Kwai apresenta gastos de campanhas em faixas de valores e campo de busca pelo nome do anunciante Reprodução 🔎 Uma API é um recurso que permite que sites, aplicativos e outros sistemas troquem dados e acionem funcionalidades entre si, seguindo regras predefinidas. Por exemplo, é por meio de uma API que um aplicativo no seu celular consegue acessar e atualizar dados da previsão do tempo fornecidos pelos sistemas de empresas de meteorologia. Busca limitada dificulta identificar publicidade irregular O artigo 27-A da Resolução nº 23.610/2019, introduzido pela Resolução nº 23.732/2024, determina que as plataformas ofereçam bu