Estudo com brasileiro à frente faz homem sobreviver com rim de porco por 271 dias e aponta novo caminho para os transplantes
AI Summary
A patient in terminal renal failure survived more than 271 days with a genetically edited pig kidney, marking a significant milestone in xenotransplantation research led by Brazilian professor Leonardo Riella at Harvard Medical School. This breakthrough suggests potential new options for transplant patients facing organ shortages.
Paciente bateu recorde de vida com xenotransplante Divulgação Um paciente em estágio terminal de doença renal sobreviveu mais de 271 dias com um rim de porco sem precisar de diálise – um tempo recorde. O caso faz parte da pesquisa do brasileiro Leonardo Riella, professor na Harvard Medical School, e coloca a humanidade mais perto de sobreviver com órgãos de animais. Para especialistas, esse é um caminho de esperança para as milhares de pessoas na fila por um transplante. Leonardo e sua equipe conseguiram que um paciente terminal de insuficiência renal voltasse a ter uma vida normal por nove meses. Antes do procedimento, ele dependia de sessões frequentes de diálise, andava de cadeira de rodas e enfrentava diversas restrições no dia a dia. Há décadas, médicos e pesquisadores tentam fazer funcionar o transplante de animais em humanos. A técnica é vista como uma possível solução à escassez de doadores, que deixa milhares de pessoas à espera e submetidas a uma realidade que rouba a qualidade de vida. Para se ter uma dimensão do problema, o transplante renal é um dos mais realizados no país. Isso porque de um doador falecido, por exemplo, é possível atender dois pacientes. Além da possibilidade entre pacientes vivos. Ainda assim, hoje, 45 mil pessoas estão na fila, segundo dados do Ministério da Saúde. Para especialistas, a pesquisa marca um dos passos mais revolucionários já dados nessa direção. O avanço se deve, em grande parte, à edição genética do porco doador: modificações que eliminam os principais alvos de rejeição do corpo humano e reduzem drasticamente a chance de o organismo atacar o órgão transplantado. (Entenda mais abaixo) De acordo com Riella, a expectativa é de que o xenotransplante seja uma realidade para pacientes nos próximos cinco anos, como ponte para o transplante humano. A ideia do médico e pesquisador é que seja um processo por etapas, com a ambição, a longo prazo, de que o paciente não precise mais de um transplante humano. Homem era paciente terminal e viveu 271 dias com rim de porco Divulgação Um feito inédito na medicina Tim Andrews, 66 anos, gostava de acampar antes de descobrir a doença renal. Em um ano e meio de diálise, o quadro debilitou tanto o paciente que ele passou a se locomover de cadeira de rodas — uma realidade completamente oposta à vida ativa que tinha antes da doença. Com esse quadro, ele se tornou candidato ao xenotransplante e recebeu o órgão de porco em janeiro de 2025. "Pouco tempo depois da cirurgia, ele já tinha uma vida normal. Ele voltou ao acampamento, cortava madeira, carregava peso, comia o que queria, não precisava de diálise. Era uma outra vida", conta o médico. Antes dele, um paciente da equipe de Riella também havia passado pelo xenotransplante, em 2024, mas sobreviveu apenas 52 dias — morreu por condições cardíacas sem relação com o procedimento. Até então, nenhum paciente havia sobrevivido mais de dois meses com um rim de origem animal no corpo. Tim rompeu essa barreira: foram 271 dias com o rim de porco, que precisou ser retirado depois de uma reação do sistema imunológico, um dos maiores desafios dos transplantes. Riella explica que o paciente teve uma infecção bacteriana sem relação com o transplante, o que levou à necessidade de reduzir os medicamentos imunossupressores — responsáveis por impedir que o corpo rejeite o órgão transplantado. Com a imunossupressão mais baixa, o organismo passou a atacar o rim suíno, até que ele precisou ser removido. Oitenta e dois dias depois, Tim recebeu um transplante de rim humano, que segue funcionando sem sinais de rejeição. "A gente conseguiu ver o quanto esse tempo de sobrevida com o xenotransplante foi impactante na vida dele. Aprendemos muito com esse caso e esse feito inédito é um avanço para a medicina e para os pacientes. Esse é o primeiro passo, evitar que os pacientes fiquem na diálise. A ambição depois é que possa substituir o transplante humano", explica Riella. Como um rim de porco pode ser usado por um ser humano? O rim usado no caso de Tim não é de um porco comum, mas de um animal feito especificamente para esses casos e geneticamente modificado. A primeira mudança mira no maior obstáculo do xenotransplante: a rejeição hiperaguda, reação imediata e violenta do corpo humano contra o tecido do porco. Ela acontece porque as células suínas têm, na superfície, moléculas de açúcar que funcionam como uma espécie de identidade estranha — um sinal que o sistema imunológico humano reconhece na hora e ataca Em laboratório, antes que os animais nasçam, os cientistas eliminaram os genes responsáveis por essas moléculas. Assim, eles nascem com esse defeito, o que reduz drasticamente a chance desse ataque acontecer. A segunda modificação lida com um risco diferente: o DNA dos porcos carrega, naturalmente, fragmentos de vírus. Eles normalmente ficam inativos, mas existia a preocupação de que pudessem se reativar dentro do corpo humano e causar infecção. Por isso, esses vírus também foram desativados. Por fim,