Esquizofrenia: falta de enzima na gestação pode estar ligada à origem da doença, diz Unicamp

🇧🇷 Globo (BR) —
Esquizofrenia: falta de enzima na gestação pode estar ligada à origem da doença, diz Unicamp

AI Summary

Brazilian researchers from Unicamp discovered that low activity of the enzyme PHGDH during fetal brain development may be linked to the origin of schizophrenia. Their lab-based study showed that reduced PHGDH impairs neuron survival and brain connectivity, suggesting that brain development changes linked to schizophrenia start in the womb, although more research is needed.

Esquizofrenia: falta de enzima na gestação pode estar ligada à origem da doença Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outras instituições brasileiras descobriram que a baixa atividade de uma enzima durante a formação do cérebro pode estar relacionada à origem da esquizofrenia. O estudo, realizado com células cultivadas em laboratório, foi publicado na revista científica Glial Health Research. A pesquisa não envolveu gestantes nem fetos e, por enquanto, não permite afirmar que a falta da enzima seja uma causa direta do transtorno. A equipe investigou a fosfoglicerato desidrogenase (PHGDH), enzima que participa da produção de serina. No cérebro, essa substância ajuda os neurônios a se comunicar, crescer e formar conexões. Para entender o papel no desenvolvimento cerebral, os cientistas reduziram a atividade da PHGDH enquanto células-tronco se transformavam em neurônios e astrócitos, células responsáveis, entre outras funções, por proteger e nutrir o cérebro. Com a redução da enzima: 📉 a produção de serina diminuiu; ⚡ as células passaram a produzir e utilizar energia de forma diferente; ⚠️ aumentou a morte de neurônios; 🔗 os prolongamentos que conectam uma célula à outra cresceram menos; 🧫 estruturas que simulam o cérebro em formação ficaram menores e menos numerosas. Após 21 dias, cerca de 30% dos neurônios haviam morrido. Enzima pode estar ligada à origem da esquizofrenia, diz estudo Alicia Petresc/Unsplash Alterações podem começar ainda na gestação A esquizofrenia geralmente se manifesta na adolescência ou no início da vida adulta. Os pesquisadores, no entanto, trabalham com a hipótese de que as primeiras alterações ocorram muito antes, ainda durante a formação do cérebro no útero. Essas mudanças afetariam gradualmente a criação das redes de comunicação cerebral. Os sintomas, porém, apareceriam apenas anos depois. “A conclusão do trabalho é que essa enzima é primordial para o neurodesenvolvimento. Durante a formação do cérebro, ainda na vida intrauterina, ocorrem alterações que fazem com que ele se desenvolva de maneira diferente”, afirmou Daniel Martins-de-Souza, pesquisador da Unicamp e um dos coordenadores do estudo. A investigação começou com a análise de tecidos cerebrais de pessoas com esquizofrenia, coletados após a morte. Os cientistas encontraram quantidades anormais da PHGDH e de outras proteínas envolvidas na produção e no uso de energia pelas células. Como alterações semelhantes já haviam sido observadas em pesquisas anteriores, a equipe decidiu investigar mais detalhadamente a função da enzima durante a formação do cérebro. VEJA TAMBÉM: Cientistas brasileiros criam minicérebros e neurônios em laboratório para estudar depressão Os resultados não significam, contudo, que a baixa atividade da PHGDH seja a única origem da esquizofrenia. “Mapeamos centenas de proteínas alteradas. Esse resultado está em linha com o que mostram os estudos genéticos: não existe um único ‘gene da esquizofrenia’”, disse Martins-de-Souza. Um estudo anterior do grupo ajuda a mostrar essa complexidade. Nele, os pesquisadores investigaram a hnRNP A1, proteína que participa da formação e da manutenção da bainha de mielina, camada que envolve os neurônios e ajuda na transmissão dos sinais no cérebro. Segundo Martins-de-Souza, os dois estudos seguem uma linha parecida, mas tratam de processos diferentes. Enquanto a hnRNP A1 está ligada à formação dessa camada protetora, a PHGDH atua mais cedo, durante a própria formação do cérebro. “O primeiro estudo tem a ver com a formação da bainha de mielina. Já a PHGDH tem um papel mais diretamente ligado ao neurodesenvolvimento, à formação do cérebro”, explicou. Daniel Martins-de-Souza, pesquisador da Unicamp e coordenador do estudo Reprodução/globoplay Enzima também está presente nos neurônios Outra descoberta do estudo contraria uma ideia consolidada em parte da literatura científica. Até então, acreditava-se que a PHGDH estivesse concentrada apenas nos astrócitos. A pesquisa identificou a enzima também nos neurônios em formação. “Na verdade, vimos que os neurônios também possuem essa enzima. Isso muda, inclusive, o conhecimento descrito nos livros-texto de neurobiologia mais antigos”, afirmou o pesquisador. Segundo os cientistas, o resultado indica que os neurônios produzem a própria serina e podem sofrer danos diretos quando a atividade da PHGDH diminui. Estudo ainda não comprova relação de causa Embora apresente indícios de uma ligação entre a enzima, o desenvolvimento cerebral e a esquizofrenia, o estudo não comprova que a redução da PHGDH provoque, por si só, o transtorno. Como os experimentos foram realizados in vitro, com células cultivadas em laboratório, eles não reproduzem toda a complexidade de uma gestação humana. “Temos um forte indício dessa relação, mas ainda não uma comprovação definitiva. Para confirmá-la de fato, seria necessário encontrar uma forma de observar esse processo diretamente no cérebro humano”, explicou Martins-de-Souza. No fu

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