Espanha sepulta a França no cemitério das grandes seleções

🇺🇸 Globo Esporte Brazil (US) —
Espanha sepulta a França no cemitério das grandes seleções

AI Summary

Spain defeated France 2-0 in the 2026 World Cup semifinal held in Dallas, advancing to their first final since 2010. Spain's defensive strength and tactical maturity shut down the strong French attack led by Mbappé, securing their status as favorites for the final.

Vez ou outra aparece um novo morador no cemitério destinado às grandes seleções que não conseguiram ser campeãs mundiais – lá onde jazem a Hungria de 1954, a Holanda de 1974, o Brasil de 1982 e alguns vizinhos menos famosos. Nesta terça-feira, a Espanha foi a responsável por sepultar a grande França de 2026, a melhor seleção da Copa até as semifinais – mas que agora, com derrota por 2 a 0 em Dallas, está eliminada. Foi o embate entre as duas favoritas ao título. Nada seria surpresa. A França vinha fazendo uma Copa melhor: mais consistente, mais plástica. Mas a Espanha havia dado sinais anteriores de que saberia lidar com o adversário. Nas semifinais da Eurocopa de 2024 e da Nations League de 2025, havia superado a França, se consolidando como a grande seleção europeia deste ciclo e ensaiando a vitória histórica desta terça. A equipe espanhola foi crescendo passo a passo na Copa, ao contrário da França, encantadora desde o segundo tempo da estreia contra Senegal. Enquanto a tríade formada por Olise, Dembélé e Mbappé formava o melhor ataque da competição, Lamile Yamal, vindo de lesão, entrava gradativamente no torneio. Mas havia um elemento mais discreto, à sombra dos astros, avisando que a Espanha era uma fortaleza: o sistema defensivo. A equipe treinada por Luis de la Fuente só havia levado um gol na Copa (para a Bélgica, nas quartas de final) até o encontro com a França. Manter-se assim contra um ataque tão forte, contra tantos jogadores talentosos, diz muito sobre a maturidade espanhola. O encaixe na marcação impediu que Olise distribuísse jogo, que Dembélé arrumasse espaços, que Mbappé arrancasse para o gol. Foi o maior teste possível, e a Espanha passou por ele. Rodri em França x Espanha Reuters Para isso, teve a contribuição da França, que fez um jogo ruim tecnicamente (Olise esteve irreconhecível) e falhou muito mais do que a adversária. O primeiro gol foi um erro de Digne misturado à esperteza de Yamal, que anteviu o movimento do lateral e se infiltrou entre ele e a bola, gerando o pênalti convertido por Oyarzabal. Qualquer outra seleção do mundo, com vantagem sobre a França em um jogo valendo vaga na final da Copa do Mundo, cairia na tentação de cozinhar o jogo, matar o tempo, torcer para os benditos ponteiros do relógio acelerarem de uma vez. Não a Espanha. Seu estilo de jogo se manteve intacto: jogo propositivo, toques rápidos, movimentação incessante, como no título de 2010, mas agora mais objetiva. Aos 12 do segundo tempo, o lateral-direito Pedro Porro tabelou com Dani Olmo e, feito atacante, saiu na cara do gol para fazer 2 a 0. A Espanha vai à final como favorita, não importa o que aconteça entre Argentina e Inglaterra na outra semifinal. Ela tem mais mecânica de jogo, mais automatismo nos movimentos – mais identidade. E é sustentada por destaques em todos os setores: na defesa, por Cucurella, o melhor lateral-esquerdo da Copa; no meio, pela elegância serena de Rodri e pela intensidade de Fabián Ruiz e Dani Olmo; no ataque, pela genialidade de Yamal. Em uma Copa tão coerente, em que quatro dos principais favoritos chegaram às semifinais, é justo ver a Espanha na decisão. À França, restará, como herança para os próximos Mundiais, a lembrança daquilo que ela jogou em 2026.

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