'Escravização virtual': o caso da menina de 13 anos induzida ao suicídio durante 'live' no Discord

🇧🇷 Globo (BR) —
'Escravização virtual': o caso da menina de 13 anos induzida ao suicídio durante 'live' no Discord

AI Summary

Brazil's National Data Protection Agency suspended Discord's live streaming in the country following an investigation into a virtual coercion case that led to a 13-year-old girl's death. The operation uncovered a criminal group manipulating young victims online, prompting ongoing police actions and regulatory scrutiny.

Operação Lívia: polícia atualiza investigações contra grupo que coagia jovens na internet A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil. A decisão ocorre semanas após cinco adolescentes serem apreendidos e um homem preso por induzir o suicídio de uma adolescente de 13 anos, de Naviraí (MS), por um grupo formado na plataforma. ➡️Isso não significa que o Discord está suspenso no país. A determinação atinge apenas a ferramenta de transmissões ao vivo. A suspensão será mantida até que a empresa comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp 🔎A ANPD é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que tem como missão zelar pela proteção de dados pessoais de brasileiros. O caso da menina de Naviraí deu origem à Operação Lívia, que chegou a cinco estados e revelou outras vítimas, planos de novos crimes e falhas nos mecanismos de proteção de menores na internet. O g1 entrevistou em exclusividade a mãe da criança, que deixou alerta às famílias com adolescentes. 💻O Discord é uma plataforma de comunicação bastante utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários. Em nota, o Discord afirmou que recebeu a determinação e está "cuidadosamente analisando seu conteúdo". "A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação", diz o texto (veja na íntegra mais abaixo). Relembre o caso Itens apreendidos durante operação 'Lívia', da PF Reprodução/PF A adolescente morreu em 22 de julho, dentro da casa onde vivia com a família, em Naviraí. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação identificou que ela havia sido ameaçada, manipulada e coagida por integrantes de um grupo virtual. Com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a investigar a morte como homicídio. Segundo a polícia, os criminosos procuravam principalmente crianças e adolescentes com perfis públicos nas redes sociais. Usando informações disponíveis na internet, criavam perfis falsos, conquistavam a confiança das vítimas e as levavam para outras plataformas, como Discord e Telegram. A prática foi chamada pela Polícia Civil de “escravização virtual”. Depois da aproximação, os criminosos conseguiam informações pessoais e passavam a ameaçar as vítimas para obrigá-las a cumprir ordens e desafios violentos. No dia 4 de agosto, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Lívia, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, e um jovem de 18 anos foram alvos de mandados em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. O suspeito de chefiar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio. Durante as buscas, foram encontrados celulares, computadores, armas, materiais de apologia ao neonazismo e conteúdos de abuso sexual infantil. Os investigados são suspeitos de homicídio qualificado e organização criminosa. Grupo planejava outros ataques Cumprimento de mandados durante operação 'Lívia' Reprodução/PF A operação também revelou que a menina de Naviraí não era a única vítima. Outra adolescente teria sido induzida à automutilação e ao suicídio durante uma transmissão, mas deixou a chamada. Segundo a investigação, o grupo ainda planejava uma nova ação contra outra vítima. Durante coletiva sobre o caso, o coordenador do Ciberlab, Alessandro Barreto, classificou o que foi encontrado como um “espetáculo de horrores”. Segundo ele, após uma das transmissões, integrantes do grupo chegaram a fazer uma enquete perguntando se os participantes queriam mais e planejavam uma nova ação para o dia seguinte. Falhas na verificação de idade A investigação também apontou falhas nos mecanismos de proteção de menores. Segundo o Ciberlab, crianças e adolescentes conseguiam acessar os ambientes onde ocorriam as transmissões sem uma verificação efetiva de idade. Um dos adolescentes investigados chegou a informar 1877 como ano de nascimento, o que indicaria uma idade de 148 anos. Na época, a Polícia Civil pediu o bloqueio do Discord, mas a solicitação não foi autorizada pela Justiça. Na semana seguinte à operação, o caso ganhou repercussão nacional. A primeira-dama Janja da Silva afirmou que era necessário retirar “imediatamente” o Discord do ar e citou a morte da adolescente de 13 anos de Naviraí. Integr

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