Entenda o que aconteceu no Hospital Colônia de Barbacena, onde milhares morreram e corpos foram vendidos a faculdades

🇧🇷 Globo (BR) —
Entenda o que aconteceu no Hospital Colônia de Barbacena, onde milhares morreram e corpos foram vendidos a faculdades

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The Hospital Colônia de Barbacena in Brazil was the site of massive human rights abuses, with an estimated 60,000 deaths and the sale of about 1,800 corpses to medical schools from the 1960s to 1980s. The Ministry Public Federal has opened a case demanding reparations for corpse sales to a Belo Horizonte medical faculty in the early 1970s.

Pacientes no Hospital Colônia de Barbacena Luiz Alfredo/Revista O Cruzeiro O Hospital Colônia de Barbacena, no Campo das Vertentes, ficou conhecido como palco de uma das maiores violações de direitos humanos do Brasil. Ao longo de décadas, milhares de pessoas foram internadas em condições degradantes na instituição, considerada o maior manicômio do Brasil. Estima-se que cerca de 60 mil pacientes morreram no local e que pelo menos 1.800 corpos tenham sido vendidos para universidades e faculdades de medicina do país. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Nesta semana, o Ministério Público Federal (MPF) abriu uma ação cobrando reparação pela venda de cadáveres a uma faculdade de medicina de Belo Horizonte, entre 1971 e 1975. Segundo a investigação, ao menos 105 corpos foram comercializados para uso em aulas de anatomia. Hospital Colônia fecha definitivamente após 115 anos de atividade Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) confirmaram que também receberam corpos e, recentemente, fizeram pedidos públicos de desculpas. O que era o Hospital Colônia? Criado em 1903, o espaço surgiu como uma instituição destinada ao tratamento de pessoas com transtornos mentais, que, muitas vezes, davam entrada sem diagnóstico médico adequado. Com isso, não apenas pacientes com doenças mentais eram enviados para lá, mas também aqueles considerados indesejados pela sociedade da época, como homossexuais, militantes políticos, grávidas, indivíduos com deficiências, transtornos ou distúrbios, além de mulheres rejeitadas pelos maridos ou que haviam perdido a virgindade antes do casamento. Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. Centro Cultural do Ministério da Saúde Aproximadamente 60 mil pessoas morreram na instituição. Muitos dos óbitos estavam associados às condições desumanas de permanência, à falta de cuidados médicos adequados e à própria estrutura da instituição. Os ambientes eram extremamente precários, e os pacientes dormiam em um modelo conhecido como 'leito único', que consistia em deitar diretamente no chão frio, coberto somente por capim seco. A história da instituição foi contada no livro-reportagem 'Holocausto Brasileiro', da jornalista Daniela Arbex. A obra conquistou o 2º lugar na Prêmio Jabuti em 2014. Como funcionava a venda de corpos? Investigações do MPF indicam que, entre 1971 e 1975, ao menos 105 corpos de pacientes internados compulsoriamente foram vendidos à então Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Cada cadáver era comercializado por 50 cruzeiros novos, valor que, segundo documentos da época, serviria para custear gastos de conservação e transporte. Imagem de arquivo mostra pacientes do Hospital Colônia de Barbacena Divulgação Ao todo, cerca de 1.800 corpos de pacientes do Hospital Colônia foram enviados para instituições de ensino entre as décadas de 1960 e 1980 para utilização em aulas e pesquisas anatômicas. Neste ano, UFMG e UFJF reconheceram o recebimento desses corpos e apresentaram pedidos públicos de desculpas. Segundo a UFJF, os registros internos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da instituição indicam que a universidade recebeu 169 corpos entre os anos de 1962 e 1971, para atividades didáticas em aulas de anatomia voltadas aos cursos da área da saúde. "Em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a Universidade Federal de Juiz de Fora pede desculpas à sociedade brasileira por essa prática, que aviltou os corpos e a dignidade das pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena", disse a UFJF em nota. O que o MPF pede agora? No caso da ação ajuizada contra a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), mantenedora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), o Ministério Público Federal argumenta que houve graves violações de direitos humanos, incluindo a violação do direito à identidade, à integridade física e ao sepultamento digno das vítimas. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o Estado de Minas Gerais e a União também são alvos do processo. O MPF pede indenização, além de medidas de preservação da memória das vítimas, pedidos públicos de desculpas e ações voltadas à não repetição de episódios semelhantes. Confira abaixo: Pedidos públicos de desculpas: o MPF quer que as instituições envolvidas publiquem declarações oficiais reconhecendo as violações cometidas e promovam cerimônias públicas em homenagem às vítimas do Hospital Colônia Preservação da memória: a ação prevê a digitalização de documentos históricos e a criação de um memorial em Belo Horizonte para manter viva a história dos pacientes e das violações ocorridas na instituição Mudanças na formação médica: o órgão pede a inclusão obrigatória de conteúdos sobre violência asilar, direitos humanos e bioética nos cursos da Faculdade Ciências Médicas Nova regulamentação nacional: o MPF solicita que o Ministério da Educação (MEC) edite uma norma nacional para disciplinar

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