Em Pernambuco, falta de chuva causa prejuízo na bacia leiteira do Agreste
AI Summary
Drought and low reservoir levels in Pernambuco are threatening pasture, water supplies, and milk production in the Agreste dairy region. Producers are reducing herds and investing in water storage and drought-resistant feed as climate conditions linked to El Niño intensify the risk.
Estiagem ameaça produção de leite em Pernambuco Em Pernambuco, a estiagem está ameaçando a produção de leite. Não se engane com o verde da paisagem. Dos 99 reservatórios monitorados em Pernambuco, 29 estão em colapso. A barragem de Jucazinho, em Surubim, a maior do Agreste, está com menos de 4% do volume d'água. “Nós estamos vivendo uma união do fenômeno El Niño sendo potencializado pelas mudanças climáticas. A ciência está prevendo que a gente pode passar por esse momento com um grau muito maior de impacto do que nos El Niños passados”, diz Francis Lacerda, pesquisadora do IPA. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O cenário anunciado de temperaturas mais altas traz consequências diretas para um setor muito sensível às condições do clima: a pecuária. Na bacia leiteira de Pernambuco, o alerta já disparou. O rebanho tem mais de 2,6 milhões de animais. O estado é o maior produtor de leite do Nordeste, com quase 4 milhões de litros por dia e cerca de 1,5 bilhão de litros por ano. O El Niño pode reduzir os pastos e a oferta de água, com impacto direto na produção leiteira. “Ela vai priorizar a sua sobrevivência. Esses animais, primeiro, para a produção, emagrece muito, começa a perder a produção de leite e a dificuldade vai vir no futuro”, afirma o zootecnista Edclaúdio Tobias. Em Pernambuco, falta de chuva causa prejuízo na bacia leiteira do Agreste Jornal Nacional/ Reprodução Em uma fazenda em Garanhuns foi preciso agir para evitar os maiores prejuízos. “Reduzimos o rebanho em quase 20% e fizemos algumas transposições para reservar água para o verão”, conta o produtor rural Waldemir Miranda Neto. Foram construídos 15 açudes. Tem ventiladores e um sistema de tubulação que serve de chuveiro para as vacas. Os pequenos produtores aguardam os dias difíceis multiplicando a plantação de palma, cacto que serve de alimento para o gado. O produtor rural, João Marcelo Cavalcante de Almeida tem 20 vacas leiteiras. Além da palma, ele plantou milho e investiu em um poço artesiano em São Bento do Una. “O pessoal tem que ter a consciência que vem o El Niño e que tem que se preparar antes. )E quem não se preparou, como é que vai ser?) Infelizmente vai sair da atividade”, afirma João Marcelo Cavalcante de Almeida. “Cabe aos governos alertarem, cabe aos agricultores e aos produtores usarem da sua experiência passada. A cultura da preservação de recursos para os momentos difíceis é essencial para a sobrevivência sustentável nesta região”, diz Rômulo Menezes, PhD em Agronomia e Meio Ambiente. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional