Eliminada da Copa, seleção da Jordânia promoveu a união de um país dividido

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Eliminada da Copa, seleção da Jordânia promoveu a união de um país dividido

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Jordan’s national football team brought together a deeply divided country, uniting fans across social and political lines during their inaugural World Cup participation. The historic event highlighted the population's ethnic and political complexities, particularly stemming from the Palestinian-Jordanian relationship.

Torcida da Jordânia se reúne em antigo teatro romano para ver estreia na Copa Quando o assunto é futebol, a Jordânia está acostumada a viver um clima de tensão. A rivalidade entre Al-Wehdat e Al-Faisaly, os dois maiores campeões do país, simboliza a divisão social e política que marca a história da nação pela relação com os palestinos. A Jordânia já não tem chances de se classificar para a próxima fase da Copa do Mundo, mas a participação inédita deixou um legado histórico. Durante o Mundial, o país viveu um cenário incomum: torcedores de lados opostos deixaram as diferenças em segundo plano para apoiar a camisa da seleção nacional. 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google + Confira a tabela completa da Copa do Mundo Áustria 3 x 1 Jordânia | Melhores Momentos | Copa do Mundo 2026 Misturas étnico-culturais Para analisar o contexto social da Jordânia hoje é preciso compreender como ela surgiu. O país é resultado de uma série de disputas territoriais e políticas do Oriente Médio, desde o fim do Império Otomano. A nação vivia sob domínio da Inglaterra, já se chamou Transjordânia e só foi assumir seu nome atual em 1949. Outro fator importante na história dos jordanianos é a relação com a Palestina. Em 1950, a Jordânia anexou como parte do seu território a Cisjordânia - território reivindicado pelos palestinos. Os moradores daquela região receberam cidadania da Jordânia, dando início a um grande processo de miscigenação no país. + Conheça o herói que classificou a Jordânia para a Copa do Mundo com um hat-trick Além disso, desde a década de 1940, a Jordânia recebe muitos imigrantes refugiados de guerras (como a dos Seis Dias) e dos conflitos com Israel. Segundo a UNRWA (agência da ONU de assistência aos refugiados da Palestina), mais de 2,39 milhões de exilados palestinos vivem na Jordânia. Aliás, Jordânia e Palestina são representadas por bandeiras praticamente idênticas, já que foram feitas com base no símbolo da Revolta Árabe de 1916. Ambos países têm faixas horizontais nas cores preto, branco e verde, além de um triângulo vermelho à esquerda. Torcida da Jordânia comemora primeiro gol em Copas, marcado na derrota de 3 a 1 para a Áustria REUTERS/Alaa Al Sukhni A única diferença entre elas é que a bandeira jordaniana possui uma estrela de sete pontas no centro da figura vermelha. O desenho representa a unidade do povo árabe e os sete versículos da primeira oração do Alcorão - livro sagrada do Islamismo. + Capitão da Jordânia exalta participação na Copa e minimiza pressão: "Temos mais orgulho" O papel, a presença e o futuro dos palestinos na Jordânia são uma das questões politicamente mais sensíveis do país Derby da tensão A crise social da Jordânia é muito bem representada pelos conflitos entre Al-Wehdat e Al-Faisaly, os dois maiores vencedores do Campeonato Jordaniano. O primeiro time citado nasceu em um campo de refugiados palestinos em Amã, capital jordaniana, e carrega as cores da Palestina (e da Jordânia). + Convocados da Jordânia para a Copa do Mundo 2026; veja a lista Já o Faisaly também é da capital, mas historicamente está associado à origem transjordaniana e à monarquia, popularmente visto como os "verdadeiros jordanianos". Em especial, por ser o clube mais antigo do país, com 94 anos de história. Torcida do Al-Wehdat ergue bandeira da Palestina e da Jordânia em duelo contra o Al-Kuwait na Champions da Ásia Noufal Ibrahim/NurPhoto via Getty Images O Al-Faisaly venceu 35 torneios nacionais, enquanto o Al-Wehdat é vice na contagem, com 17 taças. A título de comparação, o terceiro maior vencedor, Al-Ahli Amman, tem só oito troféus do torneio. Na Supercopa da Jordânia, de 42 edições disputadas, Al-Faisaly e Al-Wehdat venceram 32 (17 taças para a equipe mais antiga e 15 para a de origem palestina). Os dois clubes protagonizam o maior clássico do país, que é constantemente marcado por provocações e brigas entre os torcedores, com cantos racistas e anti-regime, vandalismo e ataques contra palestinos. Em 2015, a revista "World Soccer" classificou o clássico entre os dois times como uma das 50 maiores rivalidades do futebol mundial. + Jordanianos lotam teatro a céu aberto de quase 2 mil anos para assistir a estreia na Copa; vídeo O caso mais grave aconteceu em 2010, quando o Al-Wehdat derrotou o Al-Faisaly por 1 a 0 em casa. A confusão teve torcedores do Faisaly atirando pedras, confronto com a polícia e cerca de 250 torcedores feridos. Outro exemplo aconteceu em 2023, na partida inaugural do Torneio Amistoso Jerusalém e Al-Karama. Um falta no jogo deu início a uma briga generalizada entre torcedores e jogadores dos dois times e levou à suspensão do confronto. Torcida do Al-Faisaly no jogo contra o Al-Sadd pela Champions da Ásia Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty Images A primeira vez em Copas A tensão do país começou a ficar em segundo plano no dia 5 de junho de 2025, quando a Jordânia se classificou para a Copa do Mundo pela primeira vez. O feito histórico deixou de lado as diferenças

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