'Elefante na sala' e 'polêmicas em vez de propostas': como a imprensa internacional está noticiando as eleições no Brasil
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A matéria analisa como veículos internacionais cobrem a eleição presidencial brasileira, destacando a disputa acirrada, a economia e a possível influência de Donald Trump. As reportagens citadas discutem os candidatos Flávio Bolsonaro e Lula, a proteção contra interferência externa e as implicações estratégicas da eleição para as relações entre Brasil e Estados Unidos.
Jornal 'New York Times' dedica página na edição impressa à eleição no Brasil A eleição presidencial no Brasil deste domingo (4) ganhou destaque na imprensa internacional. Reportagens de jornais dos Estados Unidos e da Europa destacam a disputa acirrada, o cenário econômico brasileiro e a possível influência do presidente Donald Trump no pleito. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Nos últimos dois dias, o presidente dos EUA foi perguntado sobre a disputa e disse estar acompanhando "muito de perto" as eleições no Brasil. Sem mencionar os candidatos, Trump disse ainda que o pleito brasileiro é "muito importante". "O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante", declarou o presidente a repórteres na Casa Branca. Veja, abaixo, o que a imprensa internacional está dizendo sobre as eleições. 'O fator Trump' Reportagem do jornal "The New York Times" sobre as eleições no Brasil Reprodução/"The New York Times" Em reportagem publicada na segunda-feira (28), o jornal "The New York Times" destacou o "fator Trump" na eleição e afirmou que a principal questão é até que ponto o presidente dos EUA tentará influenciar a disputa. O jornal destacou que Trump não declarou abertamente apoio a nenhum candidato brasileiro. No entanto, afirma que o governo do republicano tem, "de maneiras sutis", favorecido Flávio Bolsonaro. A reportagem afirma ainda que "o Brasil está erguendo uma espécie de barreira de proteção para tentar resguardar sua eleição" contra uma interferência dos EUA. As iniciativas incluem "o monitoramento de atividades de lobby estrangeiro e de desinformação, o combate a alegações falsas de fraude eleitoral e a busca de apoio de países da Europa, da Ásia e de outras regiões". O jornal conclui que a eleição brasileira tem importância estratégica para os EUA e afirma que uma eventual vitória de Flávio aproximaria Brasília de Washington em temas como segurança e minerais estratégicos, enquanto Lula mantém uma postura mais independente e crítica a Trump. 'Decisão do Brasil vai afetar a todos' Editorial do jornal "The Guardian" sobre a eleição no Brasil Reprodução/The Guardian O jornal britânico "The Guardian" publicou um editorial na quarta-feira (30) destacando que a eleição presidencial representa uma escolha decisiva para o futuro do Brasil. O texto afirma que, embora Flávio Bolsonaro se apresente como uma versão "menos grosseira e menos temperamental" do pai, ele mantém posições igualmente radicais. Quanto a Lula, o artigo avalia que o petista enfrenta desgaste causado pela desaceleração econômica, pela criminalidade e pelos efeitos políticos do escândalo do Banco Master. O editorial afirma ainda que uma vitória de Flávio fortaleceria o presidente Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, na chamada "Doutrina Donroe", que prevê uma influência americana maior na América Latina. Por fim, o jornal afirma que a eleição de Flávio poderia representar riscos para a democracia, os direitos de minorias e a proteção do meio ambiente. "A democracia provavelmente seria sua primeira vítima local. Mas o clima certamente seria outra, com consequências para todos nós", afirma o editorial. 'Brasil vira as costas para o futuro' Matéria da revista "The Economist" sobre as eleições no Brasil Reprodução/The Economist A revista "The Economist" destacou que o Brasil reúne condições excepcionais para prosperar, graças à abundância de recursos naturais, à força do agronegócio, à matriz energética relativamente limpa e ao potencial da população. No entanto, o artigo argumenta que o país segue estagnado. O texto sustenta que a expansão da dívida pública e a falta de reformas profundas mantêm os juros elevados, limitam investimentos e prejudicam o crescimento econômico. Segundo a reportagem, a eleição de 4 de outubro oferece "poucas esperanças de uma virada, e a escolha diante dos brasileiros é desanimadora". Para a revista, nem Lula nem Flávio Bolsonaro, os dois candidatos à frente nas pesquisas, "parecem confiáveis quando se trata de enfrentar os dois maiores problemas do Brasil: a corrupção arraigada e a expansão incessante dos gastos públicos". 'Polêmicas em vez de propostas' Análise do jornal Libération sobre as eleições do Brasil Reprodução O jornal francês "Libération" destacou que Lula chega à reta final da eleição presidencial com indicadores econômicos e ambientais favoráveis, mas sem conseguir transformar esses resultados em uma vantagem clara nas pesquisas. A reportagem cita o desemprego em nível historicamente baixo, a desaceleração da inflação, a redução da pobreza e a queda do desmatamento na Amazônia. Ao mesmo tempo, ressalta que parte da população ainda enfrenta dificuldades no cotidiano e não percebe de forma concreta os avanços apontados pelos dados. Segundo o jornal, a campanha tem sido marcada mais por polêmicas e escândalos do que pela discussão de propostas. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem praticamente empatados, en