Do endividamento à imagem ruim: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente

🇧🇷 Globo (BR) —
Do endividamento à imagem ruim: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente

AI Summary

A Associação Brasileira do Agronegócio propõe políticas de longo prazo para enfrentar o endividamento rural, riscos climáticos, dependência de insumos importados, gargalos de infraestrutura e barreiras comerciais. Especialistas destacam juros elevados, perdas em safras e inadimplência como obstáculos ao crédito e aos investimentos no setor.

Agronegócios puxou alta do pib no 1º trimestre YASUYOSHI CHIBA/AFP O próximo presidente vai herdar problemas do agronegócio que não cabem em um mandato de quatro anos, segundo os especialistas entrevistados pelo g1. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) propõe cinco políticas públicas para enfrentar gargalos que vão do financiamento rural e dos eventos climáticos extremos à infraestrutura, à dependência de insumos importados e à abertura de mercados no exterior. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 As propostas são: Política nacional de financiamento, seguro rural e resiliência climática da agroindústria: criação de um marco plurianual para ampliar os recursos destinados ao setor, incluindo um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas. Política industrial para fortalecer as cadeias estratégicas da agroindústria brasileira: estímulo à produção de insumos, para garantir a competitividade da indústria brasileira, eliminando o "passivo regulatório" para agilizar a aprovação de novas tecnologias. Política nacional de governança, planejamento e financiamento de infraestrutura agroindustrial: modernização e harmonização dos processos de licenciamento e autorização de empreendimentos de infraestrutura. Política nacional de comunicação, educação e valorização da agroindústria: ações permanentes para ampliar o conhecimento sobre a contribuição do setor para a segurança alimentar, a sustentabilidade, a inovação e o desenvolvimento econômico. Política nacional de inserção internacional e defesa da competitividade brasileira: enfrentamento de barreiras tarifárias e não tarifárias, com atuação coordenada entre governo, instituições de pesquisa e setor produtivo. Agora no g1 Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que os gargalos são reais, mas têm dimensões diferentes e exigem políticas de longo prazo, além da participação da iniciativa privada. Alguns já são alvo de ações do governo atual, mas ainda apresentam problemas de execução ou escala. Entenda o cenário de cada um dos cinco pontos e quais caminhos para enfrentá-los. Financiamento e seguro rural Para Felippe Serigati, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) Agro, o principal gargalo do financiamento e do seguro rural é o custo. Segundo ele, os juros permanecem elevados devido ao endividamento dos produtores e ao aumento dos pedidos de recuperação judicial. Por este motivo, os bancos estão mais seletivos na concessão de crédito. Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, explica que a inadimplência dos produtores acontece por causa dos prejuízos acumulados em safras seguidas, provocados por problemas climáticos, juros altos e custos elevados de produção. "Isso vai tendo um efeito em cadeia, prejudicando os investimentos antes da produção. Por isso que, nesse momento, o governo tem de agir de uma maneira um pouco mais forte para tentar evitar que esse processo acabe consumindo os investimentos no setor", diz. Atualmente, apenas 3% da produção agropecuária está coberta por seguro, segundo o pesquisador. Para Serigati, da FGV, o ajuste também precisa envolver credores e devedores. "Os credores vão demandar algum tempinho para que eles possam ajustar novamente suas carteiras de crédito rural. Do lado dos tomadores desse crédito, eles têm de ter as contas mais bem organizadas, para conseguir sinalizar as suas reais condições de pagar", afirma. Além disso, ele explica que algumas instituições financeiras evitam esse tipo de crédito por causa do custo para operá-lo, gerado pela taxa Selic e pela percepção de risco, principalmente diante da instabilidade climática. Na quarta-feira (30), o Diário Oficial da União publicou a lei 15.526/2026, que funcionará como um novo marco regulatório para o seguro rural no país. Ele já atende diversos dos pedidos feitos pela Abag, como a a regulamentação do Fundo de Catástrofe, voltado para os prejuízos causados pelo clima. Além disso, a nova lei também determina que as despesas com a subvenção ao prêmio do seguro rural tenham caráter obrigatório. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), isso vai vai evitar o contingenciamento de recursos e traz uma blindagem no orçamento. Até então, o seguro rural não era uma despesa obrigatória e era uma das primeiras áreas a sofrer cortes, explica Serigati, pesquisador da FGV. Segundo Gilio, muitas vezes, critérios previstos nas políticas de crédito rural não são cumpridos e que até linhas financiadas pelo Plano Safra são de difícil acesso para o produtor. O pesquisador diz que o governo precisa investir no setor, por se tratar de uma atividade estratégica para a economia do país. 'Apagou os planos das nossas vidas’: como clima extremo forçou produtores gaúchos a abandonarem o campo Cadeias estratégicas Para os especialistas, a dependência de fertilizantes importados é, hoje, o principal problema dentro desse tema. O Brasil importa cerca de 80% dos adubos químicos que consome, e parte relevante dos fornecedores está em países envolvidos

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