Desvio de armas, divisão de dinheiro do tráfico e cobrança: áudios expõem participação de delegado em esquema

🇧🇷 Globo (BR) —
Desvio de armas, divisão de dinheiro do tráfico e cobrança: áudios expõem participação de delegado em esquema

AI Summary

Audio evidence reveals involvement of a Paraíba Civil Police delegate, Braz Morroni, in a scheme of drug and weapons diversion, including financial transactions and profit sharing with other police agents. The investigation led to the arrest of the delegates in Operation Perfídus.

Áudios expõem participação de delegado preso em esquema de desvio de drogas na PB Áudios obtidos pela investigação contra o delegado da Polícia Civil da Paraíba, Braz Morroni, e outros dois agentes da corporação, expõem a participação do delegado em esquema de desvio de drogas e armas. O delegado, ex-titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), é citado no material em falas sobre divisão de lucros, apreensão de armas e até sobre proteção institucional a envolvidos. A maior parte dos áudios traz falas de Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba", que é apontado como principal operador do esquema. Ele é investigador da Polícia Civil da Paraíba, assim como Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". Os dois investigadores e Braz Morroni foram presos na Operação Perfídus, deflagrada no dia 2 de junho. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Conversas sobre divisão de lucros Áudio mostra policial negociando venda de loló e divisão de lucros com delegado Em um dos áudios, o agente cobra o dinheiro de uma droga repassada e diz que o delegado perguntou quando sairia o pagamento. Neste áudio, não é possível saber com quem o agente está falando. “Jovem, veja com nossa bolinha de ouro lá quando é que ele vem com o dinheiro da branca que a gente passou na semana passada. (...) Sábado fez oito dias; meu bom dia hoje do delegado foi perguntando desse dinheiro”. O material traz, em determinado momento, Bomba negociando com um integrante do esquema para não repassar de imediato ao delegado todo o dinheiro acordado. “Era 72, a gente, a gente tá 36/36. Aí cada um tira 18. Aí a gente joga mais para 30, 40 dias para frente para para pagar os outros 36. A gente trabalha com uma parte do dinheiro dele mesmo". As investigações obtiveram também um áudio em que Bomba informa ao delegado Braz Morroni sobre os lucros obtidos com o esquema criminoso. Na gravação, ele relata o recebimento de R$ 8 mil por meio de uma transferência via Pix. “Estava aqui de boa, daqui a pouco tem um comprovante Pix de R$ 8 mil. Duas bolinhas de uma social que a gente passou lá para Campina Grande. Eu mandei para Mão Branca, ele enlouqueceu, parecendo pinto no lixo. Eu não disse que dava dinheiro? Era para o senhor ter vindo para a Roubos e Furtos há muito tempo atrás”. Em outro áudio, supostamente enviado a Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como “Mão Branca”, Bomba informa sobre um pagamento que fez ao delegado e também sobre um recesso. “Braz veio aqui pegar o dinheiro dele, aí eu falei para a gente tirar um recesso junto com ele, agora em janeiro. Ele disse que entra dia 5, aí volta dia 20. Vai tirar 15 dias”. O material mostra ainda o agente falando sobre uma suposta articulação envolvendo o delegado Braz Morroni e a apreensão de armas de fogo. Na gravação, ele relata ter falado com o delegado e afirma que os dois, junto com um terceiro agente, iriam até a Central de Polícia para verificar informações sobre quatro armas. Em seguida, sugere que uma delas poderia ser atribuída a um suspeito de assalto, enquanto as demais teriam outro destino. “Pronto, eu falei com Braz agora, ele disse que cola com a gente. Oito horas a gente vai para a Central, agrupa com ele lá e nós três vamos. Eu disse que pode ser que tenha quatro armas. Eu perguntei a Sheldon quais eram essas armas. Ele disse que não sabe, vai procurar saber, mas, se tiver, pode ser que o cabra pegue o cabra que atirou em Sérgio e ainda pegue a arma do assalto. A gente bota esse fresco na cadeia com a arma, e as outras a gente dá destino”. Delegado protegia a equipe A principal utilidade do delegado para o grupo seria servir como uma espécie de proteção institucional, de acordo com um dos áudios das investigações. No trecho em questão, Bomba diz que, em caso de denúncia ou investigação, a presença de um delegado ao lado dos suspeitos dificultaria a responsabilização dos envolvidos, devido ao corporativismo dentro da corporação. “O delegado é morto, pô. A única vantagem dele pra gente é que, se der uma merda, uma denúncia, um negócio, por ele ser delegado e estar colado na gente, os delegados são corporativistas… Para f**** a gente tem que f**** ele, entendeu? Aí é um guarda-chuva para a gente”. Defesas negam crimes A defesa de Everton Aires afirmou que o devido processo legal está em curso e que o investigador não aceita as acusações. Já o advogado de Eduardo Jorge disse que não é crível que policiais negociem drogas de forma aberta e que pode haver um processo de desgaste de imagem. A defesa do delegado Braz Morroni afirmou que não há elementos que comprovem a participação consciente dele nos fatos investigados. As investigações Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início em fevereiro de 2025, após a denúncia de um traficante que relatou que drogas apreendidas teriam sido desviadas por agentes da corporação. Ao longo das apurações, os invest

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