Debates, missas e visitas: como candidatos transformam Basílica de Aparecida em 'vitrine' para atrair voto católico

🇧🇷 Globo (BR) —
Debates, missas e visitas: como candidatos transformam Basílica de Aparecida em 'vitrine' para atrair voto católico

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A Basílica de Aparecida tornou-se espaço de visibilidade para candidatos que buscam dialogar com eleitores católicos, e a disputa eleitoral de 2026 trouxe Nossa Senhora Aparecida ao centro de uma controvérsia política. Publicações que atribuíram a Flávio Bolsonaro a intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil foram contestadas e analisadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Controvérsia eleitoral envolve Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil Na última semana da campanha para o 1º turno das eleições de 2026, Nossa Senhora Aparecida foi alçada ao centro do debate político nacional. A circulação de publicações que atribuíram a Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar da Santa o título de Padroeira do Brasil, informação negada pelo candidato, provocou reações de adversários, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Justiça. A discussão em torno de Nossa Senhora, cuja imagem fica no maior templo católico do país, no interior de São Paulo, mostra a força de um dos maiores símbolos da fé dos brasileiros. Por isso, a Basílica em Aparecida se consolidou, além de destino de milhões de romeiros todos os anos, como uma parada das campanhas presidenciais e 'palco' onde políticos acenam aos eleitores católicos. (Leia mais abaixo) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp 🔎A polêmica sobre a Padroeira começou nos últimos dias após postagens associarem a Flávio Bolsonaro um projeto para tirar da Santa o título de Padroeira do Brasil. Apoiadores de Lula (PT) passaram a explorar os posts politicamente e a disputa foi levada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que liberou publicações na web sobre o tema, desde que não associem o projeto ao candidato do PL. Além de os políticos visitarem e participarem de missas no templo, principalmente em datas festivas, a CNBB também participou ativamente do processo eleitoral, sobretudo nas eleições de 2014 e 2018, em que promoveu debate próprio entre os presidenciáveis. O debate em 2022 chegou a ser agendado, mas foi cancelado devido às ausências de Lula e Bolsonaro. O local escolhido para receber os postulantes à presidência, nas duas ocasiões em que o evento ocorreu em Aparecida, foi o centro de eventos da Basílica. A transmissão ocorreu para todo o país por meio de emissoras católicas, entre as quais a TV Aparecida, ligada ao Santuário, e a TV Canção Nova. 📿A CNBB é o órgão máximo da Igreja Católica no Brasil. A entidade reúne os bispos e orienta a atuação do catolicismo no Brasil. Já na campanha de 2026, somente o então candidato Renan Santos (Missão) esteve no local, dia 22 de setembro. Lula e Flávio, que estão agora no 2º turno, não confirmaram ainda se estarão no Santuário Nacional no dia 12 de outubro, dia dedicado à Padroeira. Ambos nunca estiveram em agenda pública no templo este ano. Lula se declara católico. Flávio, que se declara evangélico, ergueu uma imagem da Santa em ato de campanha em São Paulo, acompanhado do governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no dia 28 de setembro. Debates, missas e visitas: como candidatos transformam Basílica de Aparecida em 'vitrine' para atrair voto católico Foto 1: Ricardo Stuckert / PR | Foto 2: Thiago Leon/A12 | Foto 3: Vittor Sales Outras figuras centrais da eleição 2026, como Geraldo Alckmin (PSB), vice de Lula, e Gilberto Kassab, presidente do PSD e então vice de Ronaldo Caiado (PSD), são figuras frequentes em cerimônias na Basílica. Para a antropóloga da religião Brenda Carranza, professora da Unicamp e pesquisadora visitante da Faperj-UERJ, o uso de símbolos religiosos em campanhas não é novo, mas ganhou força em um momento de disputa acirrada. Para a especialista, a polêmica também expõe a mudança na relação de forças entre católicos e evangélicos na política brasileira. “A Nossa Senhora, reativada como polêmica, simplesmente traz um resquício e revela este ambiente polarizado mais profundo. Se fosse um ambiente normal dos anos 90, isto não teria tomado a proporção que tomou.” Para o cientista político e sociólogo José Maurício Cardoso, da Universidade de Taubaté (Unitau), a religião continua sendo um importante ingrediente da política brasileira e a presença cada vez maior da religião nas campanhas também revela uma dificuldade da sociedade em separar as dimensões religiosa e política. Santuário Nacional de Aparecida é o maior templo mariano do mundo Lucas Tavares/g1 O Brasil ainda é um país católico❓ Apesar da queda registrada nas últimas décadas, o catolicismo continua sendo a maior religião do Brasil. Segundo o Censo IBGE 2022, 56,7% da população brasileira se declarou católica. O percentual, no entanto, é o menor já registrado desde 1872, quando os católicos representavam 99,7% da população. Ao mesmo tempo que a população que se declara católica caiu, a de evangélicos subiu. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 26,9% da população brasileira se declarou evangélica, ante 21,6% em 2010. O grupo passou a representar mais de um quarto da população, enquanto a proporção de católicos caiu de 65,1% para 56,7% no mesmo período. Na pesquisa Quaest divulgada em 3 de outubro, última antes do 1º turno, o presidente aparecia à frente na preferência dos católicos, com 44%. O candidato do PL tinha 36%. Flávio tem vantagem entre os evangélicos, com 50%, contra 28% de Lula. LEIA TAMBÉM: Após polêmica, Flávio e Tarcísio levantam imagem da padr

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