Como um casamento real na Alemanha deu origem à maior festa da cerveja do mundo (e como ela chegou à América Latina)

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Como um casamento real na Alemanha deu origem à maior festa da cerveja do mundo (e como ela chegou à América Latina)

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The Oktoberfest in Munich attracts over 6.5 million visitors annually, celebrating Bavarian culture with traditional costumes, music, and a vast amount of beer served. Originating from a 19th-century royal wedding, the festival has grown into the world's largest folk festival with international recognition.

Cerca de 6,5 milhões de visitantes compareceram à Oktoberfest de 2025 ao longo dos 16 dias de duração do evento. Getty Images via BBC Todos os anos, desde 1950, no primeiro sábado depois de 15 de setembro, o prefeito de Munique, a capital da Baviera, na Alemanha, tem um compromisso marcado. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Exatamente ao meio-dia, ele precisa estar na Theresienwiese (Campo de Teresa), uma grande área aberta perto do centro da cidade, em uma tenda, diante de um barril de cerveja e com um pesado martelo de madeira nas mãos. Sua missão é introduzir uma torneira de latão, com a menor quantidade possível de golpes para evitar que a cerveja espirre. Quando consegue, grita "O'zapft is!" (Já está aberta!), e exclama "Auf eine friedliche Wiesn!" (Por uma Oktoberfest em paz!), dando início ao disparo de 12 salvas de canhão a partir da escadaria da monumental estátua da Baviera, a mulher que simboliza a força, o orgulho e a identidade da região. Agora no g1 O som dos disparos de canhão é o tiro de largada do maior festival folclórico do mundo. Mais de seis milhões de pessoas chegam de todos os cantos do planeta para celebrar as tradições bávaras. Muitos dos presentes, moradores ou não, usam os trajes típicos daquela região alpina. Os homens usam lederhosen, calças curtas de couro, decoradas com bordados e presas por suspensórios; as mulheres usam dirndls, uma blusa branca, um corpete justo e um avental cujo laço revela sua situação amorosa: amarrado à esquerda significa que é solteira, e à direita, que o coração já está ocupado. Durante os 16 ou 18 dias de duração do evento, a Theresienwiese se transforma em um gigantesco parque de diversões, com carrosséis e montanhas-russas. Mas a verdadeira atração são seis enormes tendas. Nelas, são servidos rios de cerveja, uma quantidade suficiente para encher quase 3 piscinas olímpicas, frequentemente acompanhada por um dos mais de 1,2 milhão de brezn, enormes pretzels bávaros assados durante o festival. Tudo é grande, abundante, barulhento e alegre, e tudo começou há mais de dois séculos, com outra festa popular exuberante, embora diferente, que não aconteceu em setembro nem, estritamente falando, na Alemanha, pois ainda faltavam seis décadas para que ela existisse como país. Munique abre Oktoberfest com muito sol, cerveja e IA antiaglomeração Até Kim Kardashian visitou a Oktoberfest em 2010, quando usou um dirndl. Getty Images via BBC Um casamento Em 1809, a inteligente e bela princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen figurava na lista de candidatas a esposa de Napoleão Bonaparte, que procurava uma mulher de sangue real. Quase toda a Europa estava sob o controle ou a influência do imperador francês. A Alemanha não existia como um país unificado; era um mosaico de pequenos reinos e ducados. Luís, o príncipe herdeiro do recém-proclamado reino da Baviera, sentia uma rejeição visceral à imposição cultural e militar francesa e era um dos grandes promotores do incipiente nacionalismo cultural germânico: o sonho de uma identidade compartilhada para além das fronteiras. Assim, viajou para conhecer Teresa e pediu sua mão quase imediatamente: uma união com uma princesa de um ducado germânico, em plena guerra napoleônica, era uma jogada de mestre. "Eu me caso sem paixão, já que isso é mais vantajoso para o futuro", escreveu à sua irmã, a princesa Carolina Augusta da Baviera. A falta de amor não era incomum nos casamentos reais. O insólito foi a forma como o casamento foi celebrado. Em vez de uma cerimônia a portas fechadas com a aristocracia, convidaram o povo para uma festa descomunal de 5 dias, com a cidade iluminada, ópera e baile gratuitos, mesas com comida e cerveja custeadas pelo rei em praças e tavernas. Houve até desfiles infantis com trajes típicos de regiões recém-anexadas ao reino, como a Francônia e a Suábia, pois a coroa bávara queria mais do que uma festa. Segundo vários historiadores, a celebração foi planejada para que comunidades culturalmente distintas se percebessem como uma única nação. A celebração culminou em 17 de outubro com uma corrida de cavalos em um campo fora das muralhas da cidade, à qual compareceram cerca de 40 mil pessoas. Não parece muito em comparação com os milhões que chegam hoje ao mesmo local, até que se leva em conta que, segundo o Serviço de Estatística da Cidade de Munique, em 1810 a cidade tinha apenas 40.638 habitantes. O sucesso foi tamanho que o rei decidiu batizar aquele campo em homenagem à sua nora. O local passou a se chamar Theresienwiese. E a festa, realizada originalmente em outubro, ficou conhecida como Oktoberfest. Apresentação de cavalos e gado na primeira edição da Oktoberfest, uma celebração muito diferente da atual. Getty Images via BBC Quando a festa foi repetida no ano seguinte, houve uma exposição agrícola, algo que continua sendo feito hoje a cada três anos; as primeiras barracas de cerveja e o primeiro carrossel chegaram em 1818. E, em 1872, depois de ouvir reclamações sobre o clima,

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