'Como em todas as militâncias, as coisas se perderam': por que influenciadora deixou movimento 'body positive' e planeja emagrecer

🇧🇷 Globo (BR) —

'Como em todas as militâncias, as coisas se perderam': por que influenciadora deixou movimento 'body positive' e planeja emagrecer

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Alexandra Gurgel, a prominent Brazilian body positivity influencer and journalist, has left the movement and plans to pursue weight loss. She reflects on the challenges and misinterpretations surrounding body positivity, explaining that her prior activism became exhausting and she now shares personal stories beyond the movement.

"Eu comecei a me tornar a militante perfeita, que não podia errar", diz a influenciadora e jornalista Alexandra Gurgel. Arquivo pessoal Alexandra Gurgel era um dos principais nomes do body positive no Brasil. Mas deixou o movimento e agora planeja emagrecer. Para ela, muitas pessoas faziam uma interpretação errônea sobre o amor próprio. A influenciadora e jornalista Alexandra Gurgel, de 37 anos, era uma das principais vozes do body positive no país. No movimento, também conhecido como body positivity, ela expunha seu corpo gordo para milhares de seguidores na internet e lidava com os efeitos de ser uma voz para tantas pessoas. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Ela fundou o Corpo Livre, uma espécie de versão brasileira do movimento, e se tornou referência. Alexandra lançou livros, foi capa de revistas nacionais e deu palestras sobre a luta contra a gordofobia. Mas há dois anos, a influenciadora decidiu recomeçar. Ela parou de fazer publicações sobre o body positive e hoje conta histórias sobre relacionamentos nas redes. A militância, diz ela, é exaustiva e a fez repensar tudo o que fazia até então. Alexandra, assim como outros influenciadores que defendiam os corpos gordos nas redes, quer emagrecer. Ela diz que só agora se sente segura para iniciar um processo de perda de peso, por conta do avanço das canetas emagrecedoras. Em entrevista à DW, Alexandra falou sobre esses e outros temas. Confira. DW: Como você se tornou uma voz do body positive e da luta contra a gordofobia no Brasil? Alexandra Gurgel: Tudo aconteceu muito rápido na minha vida. Eu comecei o meu canal no YouTube para encontrar semelhantes. Eu não conhecia a palavra gordofobia, não conhecia o body positive, não conhecia nada. Conheci junto com as pessoas. Até hoje assistem a maratona de body positive que eu fiz no YouTube. Há 10 anos, eu era só uma menina. E eu acredito muito em tudo o que eu falava e acredito muito em tudo o que aconteceu. Eu só acho que, como em todas as militâncias, no fim das contas, as coisas se perderam. Na pandemia, foi um momento em que eu cresci muito no Instagram com as pautas que aconteciam. Eu me tornei a pessoa que estava denunciando e também abraçando as pessoas, ao mesmo tempo em que também ganhei fama. E junto disso veio uma estratégia em cima do meu nome: vamos ser famosa. Você quer ser capa de revista? Você não quer ir pra televisão? Você quer ser atriz? E eu ficava assim: gente, eu nem sei. Eu não estava com isso na cabeça, eu sou uma jornalista. E eu gostei, por exemplo, quando a [revista] Marie Claire me chamou pra fazer uma capa ou quando eu estava no escritório da Vogue. E eu falava: caraca, venci na vida. Isso foi muito legal. Foi nesse período da pandemia que o body positive pegou uma força mundial e a gente virou uma comunidade de pessoas online que estavam em casa e se reconectando com o corpo. Eu sinto que o corpo livre abraçou a gente na pandemia de uma forma incrível. O body positive foi muito importante pra gente sobreviver a esse momento. Como referência no body positive, você tinha a impressão de que falava em nome de muitas pessoas? Eu, pensando em Alexandre Gurgel, não na pauta do body positive, sempre falei por muitas e acho que eu aceitei esse lugar. Esse lugar fez bem pra minha cura, porque essa pauta sempre foi identitária. Então sempre foi uma coisa que era sobre a minha cura, eu estava falando de coisas que eu estava aprendendo junto. Só que eu fui colocada em um lugar e tive acessos e lugares que me envaideceram. Eu comecei a me tornar a militante perfeita, que não podia errar. Por exemplo, eu sou fumante e hoje falo abertamente sobre isso. Mas eu não podia fumar na frente de ninguém, não queria falar porque isso não era body positive. Foi difícil ter se tornado uma referência nesse tema? Eu passei por muitos desafios de ter que ser uma coisa que eu não era. E pra aceitar isso, tinha dinheiro. E você não se envaidece? Você acha que não vai se envaidecer com uma marca que vai te dar muito dinheiro pra falar de uma pauta muito legal pra um monte de gente? Claro que vai. E, de repente, falaram: "ah, mas seria legal você estar em Paris” ou "acho que é legal você usar Dior". E eu: nossa, eu posso comprar isso? Mas chegou uma hora em que isso não fazia mais sentido pra minha vida. Eu vendi cerca de 90% das minhas coisas porque eu quis, hoje tenho uma coisa ou outra. Eu parei de ir no circuito de eventos. Eu ia no Baile da Vogue, porque eu considerava que a minha presença seria uma representatividade. E, de fato, foi. Só que eu estava cansada de representar as pessoas. Eu acho que é isso. Eu cansei de ter que ser uma voz que sabe o que está falando. Eu quero me dar o direito de errar, mas militante não tem esse direito. Gurgel fundou o Corpo Livre e lançou livros, foi capa de revistas nacionais, deu palestras sobre a luta contra a gordofobia e acumulou milhares de seguidores nas redes. Divulgação E hoje em dia você se considera militante? Não, há muitos anos

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