Câmara de Olinda aprova projeto que amplia área de comércio no Sítio Histórico e gera polêmica; entenda
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A Câmara Municipal de Olinda aprovou um projeto que amplia as áreas comerciais permitidas no Sítio Histórico, abrindo caminho para bares, restaurantes e casas de shows em locais hoje predominantemente residenciais. A proposta segue para sanção ou veto da prefeitura e gerou controvérsia por preocupações com preservação patrimonial e falta de estudos de impacto e participação pública.
Câmara de Olinda aprova projeto que amplia área comercial no Sítio Histórico A Câmara Municipal de Olinda aprovou, na terça-feira (3), o Projeto de Lei Ordinária (PLO) nº 44/2026, que amplia as áreas onde são permitidas atividades comerciais no Sítio Histórico da cidade, Patrimônio da Humanidade desde 1982 e tombado há 58 anos (veja vídeo acima). A aprovação do texto gerou polêmica entre comerciantes e moradores (saiba mais abaixo). A proposta recebeu 11 votos a favor e dois contra. Quatro vereadores faltaram (veja como cada parlamentar votou ao fim desta reportagem). Agora, o projeto segue para a prefeitura, que poderá sancionar ou vetar a lei. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE De autoria da Mesa Diretora da Câmara, presidida pelo vereador Saulo Holanda (MDB), o projeto altera a Lei Municipal nº 4.849/1992, em vigor desde 1992. A nova lei, caso seja sancionada, pode abrir espaço para bares, restaurantes, casas de shows e outros estabelecimentos comerciais em áreas onde atualmente predominam imóveis residenciais que integram o patrimônio histórico. O texto contempla os seguintes locais: Praça do Carmo; ruas do Bonfim e João Alfredo; Praça Dantas Barreto; Rua do Sol; entorno do Forte de São Francisco. O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico do Sítio Histórico de Olinda é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1968. Procurado, o órgão informou que não possui competência legal para avaliar o mérito de projetos de lei municipais (saiba mais abaixo). O presidente da Câmara, Saulo Holanda (MDB), afirmou que a proposta busca atender a uma demanda de comerciantes que enfrentam dificuldades para conseguir autorização para funcionar. De acordo com ele, a mudança pode incentivar o turismo, movimentar a economia e regularizar atividades comerciais que funcionam sem alvará. "A gente vem há cerca de alguns meses discutindo sobre esse projeto, sobre a questão do Sítio Histórico, onde tem uma grande demanda de muitos comerciantes, muita gente sem alvará. Então, a Câmara Legislativa quer regularizar que cada comerciante, que cada pessoa do Sítio Histórico, deve ter um alvará de funcionamento. O que não pode é existir essa demanda que vem existindo: 'não pode isso, não pode aquilo', e não chegamos a uma conclusão. A gente quer que o Sítio Histórico seja preservado, mas que também seja legalizado", disse o vereador. LEIA TAMBÉM: Construções e reformas irregulares reduzem áreas de vegetação no Sítio Histórico de Olinda, aponta pesquisa da UFPE Ladeiras do Sítio Histórico de Olinda ficam mais íngremes e ameaçam Patrimônio da Humanidade, diz estudo A vereadora da oposição Eugênia Lima (PT) questionou a falta de estudos de impacto e de participação popular na discussão do projeto. Ela foi um dos dois votos contrários à proposta. "O projeto chega à comissão sem estudo de impacto, sem uma audiência pública definidora para discutir esse projeto, então ele chega sem a ampla participação popular, que é prevista no Estatuto da Cidade do Plano Diretor. A minha opinião é sobre a inconstitucionalidade do projeto, porque ele não prevê os requisitos legais para que possa ir à votação", declarou. Sítio Histórico de Olinda Acervo/TV Globo Lei divide opiniões A iniciativa gerou polêmica entre moradores e empreendedores que atuam no Sítio Histórico. Enquanto parte dos comerciantes defende a ampliação das atividades econômicas, representantes de entidades locais demonstram preocupação com os impactos da mudança. Conselheiro da Sociedade de Defesa da Cidade Alta (Sodeca), Plínio Victor afirmou que a presença de moradores no Sítio Histórico é fundamental para a conservação dos imóveis. "Para se conservar uma cidade patrimônio, tem que ter morador, porque morar numa casa dessas é muito caro. Se a cidade começa a ser abandonada, quem é que vai garantir essas edificações? O morador que fica o ano inteiro cuidado de cupim, de telhado, então vai esvaziar uma parte dessa cidade para transformar em comércio. E o resto? Não existe comércio que segure a quantidade de prédios que tem na cidade", afirmou. O diretor da Associação de Empreendedores do Sítio Histórico de Olinda, Victor Castelo Branco, afirmou que a entidade representa estabelecimentos que geram empregos na região e criticou a possibilidade de liberação de novos usos comerciais. "A gente está aqui representando 250 empregos no Sítio Histórico de Olinda. A gente representa os hotéis, restaurantes, pousadas, ateliês, instituições. A gente entende que, por interesses específicos de determinadas pessoas, vai alterar uma lei apenas para adequar uma coisa que não está sendo boa para ninguém na nossa cidade. A gente está junto nessa luta, porque essa alteração permite determinados tipos de uso em áreas que já têm um uso residencial e pousadas estabelecidas. E vão liberar casas de festas e bares", disse. Saulo Holanda (MDB) e Eugênia Lima (PT), vereadores de Olinda Reprodução/TV Globo O que diz o Iphan Procurada, a autarquia federal vincul