Clima e escassez alimentar elevam risco de guerras no mundo
AI Summary
Climate change and El Niño-induced droughts are severely impacting global agricultural productivity, increasing food scarcity risks in vulnerable regions such as Africa and Asia. Coupled with geopolitical conflicts like the Ukraine war disrupting supply chains, experts warn this could escalate into social unrest and conflicts fueled by resource competition in the coming decades.
Seca causada pelo El Niño deixou arrozais de Java Ocidental (Indonésia) rachados e secos Donal Husni/NurPhoto/picture alliance via DW O sistema alimentar mundial está sob pressão crescente, e novas pesquisas estão apontando áreas específicas onde isso pode levar a conflitos. Secas severas e eventos climáticos extremos estão prejudicando as colheitas em muitas regiões. Um fenômeno El Niño, atualmente em desenvolvimento, ameaça agravar a escassez de alimentos para milhões de pessoas no próximo ano. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Ao mesmo tempo, guerras e tensões geopolíticas estão interrompendo as cadeias de suprimentos que mantêm alimentos e insumos agrícolas em circulação e que poderiam ajudar a mitigar a falta de abastecimento. A guerra na Ucrânia tem provocado repetidas turbulências nos mercados de grãos, enquanto os impactos do conflito envolvendo o Irã no Estreito de Ormuz elevaram os preços dos combustíveis e fertilizantes, aumentando os custos para agricultores em todo o mundo. 'Guerra de drones' entre Rússia e Ucrânia já afetou mais de 20 países; MAPA Especialistas alertam há muito tempo que o aumento da insegurança alimentar pode alimentar a instabilidade. Quando muitos não conseguem mais alimentar suas famílias, passam a disputar terras, água e outros recursos, ou simplesmente migram para outras regiões. Em países frágeis, essas pressões podem contribuir para agitações sociais e até conflitos armados. Agora, novas pesquisas indicam onde alguns desses riscos são maiores. O Índice de Declínio Agrícola Impulsionado pelo Clima (Cadi, na sigla em inglês), desenvolvido por especialistas do Instituto de Análise Econômica (IAE-CSIC) e da Escola de Economia de Barcelona, mapeia como as mudanças climáticas estão remodelando a produtividade agrícola ao redor do mundo. ONU alerta para intensidade do fenômeno El Niño no Brasil "As perdas mais severas estão nas regiões tropicais", afirmou o pesquisador Hannes Mueller, um dos envolvidos na pesquisa. As mudanças climáticas já estão reduzindo a produção de alimentos em diversas partes do planeta. Centenas de milhões de pessoas vivem em áreas onde as colheitas são menores do que há 30 anos. Hannes Mueller citou Camboja, Bangladesh, Burundi, Nigéria, Paraguai e El Salvador como países onde as perdas agrícolas já estão sendo sentidas. "O Norte da África é outra região à qual deveríamos dedicar muito mais atenção. Se você olhar o mapa, a situação parece terrível. Realmente parece horrível." E as mudanças climáticas são apenas parte da história. Guerras, interrupções comerciais, proibições de exportação e aumento dos custos dos fertilizantes podem ampliar ainda mais a insegurança alimentar. Nos próximos 25 anos, quase metade da população mundial poderá viver em áreas onde as fazendas estarão produzindo menos alimentos. Novos vencedores, perdedores e conflitos Terras agrícolas cheias de lama após inundações ao longo do rio Bhotekoshi, no Nepal Ambir Tolang/NurPhoto/picture alliance via DW Essas pressões podem enfraquecer governos, estimular migrações e facilitar o recrutamento de combatentes por grupos armados. Em sociedades que já enfrentam instabilidade, esses fatores podem empurrá-las para crises ainda mais profundas. No entanto, a pesquisa do Cadi aponta para uma realidade surpreendente: ganhos na produtividade agrícola também parecem aumentar o risco de violência. Segundo Mueller, a questão central não é apenas a escassez, mas a mudança. A crise climática e outros choques não tornam apenas algumas regiões mais pobres; elas também criam novas oportunidades, alterando o valor das terras e dos recursos naturais. Em alguns lugares, terras antes consideradas marginais tornam-se mais produtivas e valiosas. Isso atrai investidores e gera competição pela propriedade e pelo acesso a esses recursos. Assim, países que aparentemente se beneficiarão das mudanças podem enfrentar novas tensões. O Sudão, por exemplo, deverá produzir mais alimentos à medida que o clima mudar. Porém, enquanto algumas áreas poderão se tornar mais produtivas, outras poderão sofrer perdas, criando novos vencedores e perdedores dentro do próprio país e elevando o risco de conflitos. Essa instabilidade iminente, afirmou Mueller, também se aplica a áreas onde a mudança de produtividade ainda nem ocorreu. "Se sabemos que sua terra se tornará mais produtiva no futuro, talvez eu queira tomá-la de você hoje", disse Mueller. "É exatamente nesse ponto que as negociações fracassam e a violência surge." Mesmo em regiões estáveis e ricas, a crise climática está criando problemas futuros. Embora possa parecer algo trivial, a mudança nas áreas adequadas para o cultivo de uvas na Europa já está afetando agricultores locais. Grandes produtores de vinhos espumantes começaram a comprar terras em regiões montanhosas. "Essas terras ainda não são produtivas, mas eles já sabem onde estarão as futuras colheitas de uvas", explicou Mueller. "Grandes empresas agrícolas estão compran