Caso Oliver: polícia indicia pai e mãe de menino morto após ser espancado por não dar 'bom dia' no RS
AI Summary
In Rio Grande do Sul, the parents of 3-year-old Oliver Grayson have been indicted for the child's death and prolonged torture involving all five siblings. The investigation revealed extensive abuse, with the father responsible for direct violence and the mother for omission and participation, leading to their preventive detention and removal of surviving children from their custody.
Menino de 3 anos que teria sido espancado por não dar 'bom dia' ao pai morre no RS A Polícia Civil indiciou o pai e a mãe de Oliver Grayson, de 3 anos, morto após ser espancado em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura majorada por cinco vezes. Segundo a investigação, as agressões contra os cinco filhos do casal, com idades entre 1 e 9 anos, ocorreram de forma reiterada ao longo de aproximadamente nove anos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O g1 tenta contato com as defesas de Mayanna Angelina Rodgers e de D’andre Grayson, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. De acordo com a delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, o pai, D’andre, foi indiciado pelo homicídio por ter praticado as agressões que provocaram a morte do menino. Já a mãe, Mayanna, responderá por homicídio por omissão, segundo a polícia. "Pelo homicídio foram os dois, o pai pela conduta, por ter praticado, e a mãe pela omissão. E a tortura, os dois foram indiciados", explica a delegada Luana Medeiros. Segundo a investigação, a mãe também teria participado de agressões contra os filhos. Por isso, os dois pais foram indiciados pelas cinco torturas, uma em relação a cada criança. "Temos indícios que a mãe também praticava algumas agressões e acreditava na violência como forma de controle. E, mesmo que ela não praticasse, pela omissão ela com certeza também responderia pelas torturas", afirma a delegada. Os dois estão presos preventivamente. As quatro crianças sobreviventes foram retiradas da guarda dos pais e estão abrigadas. Caso Oliver: polícia indicia pai e mãe de menino morto após ser espancado por não dar 'bom dia' no RS Reprodução/Redes sociais Menino morreu três dias depois de agressão O caso começou a ser investigado depois que a polícia recebeu a informação de que Oliver havia sofrido lesões graves no dia 5 de julho. Segundo o inquérito, o menino teria sido agredido pelo pai porque não teria dado “bom dia” a ele. D’andre teria dado socos na criança e batido a cabeça dela contra o chão. O pai foi preso em flagrante no mesmo dia. No dia seguinte, a prisão foi convertida em preventiva. Oliver morreu no dia 8 de julho. O exame necroscópico apontou como causa da morte um traumatismo cranioencefálico grave. A perícia também identificou múltiplas cicatrizes antigas no corpo do menino. Segundo a investigação, as marcas seriam resultado de lesões anteriores e não teriam relação direta com a agressão que provocou a morte. Marcas de agressões em quatro crianças Depois da prisão do pai, surgiram informações de que os outros filhos também poderiam ser vítimas de maus-tratos e que a mãe poderia estar envolvida. A Polícia Civil afirma ter reunido indícios de que as agressões contra as crianças aconteciam de maneira reiterada havia cerca de nove anos. Na perícia física, todas as crianças, com exceção do bebê de 1 ano, apresentavam diversas marcas no corpo, segundo a investigação. Foram identificadas cicatrizes e mordeduras de diferentes idades e provocadas por diferentes instrumentos. A polícia também afirma ter identificado indícios de que a mãe orientava os filhos a não mostrar o corpo e a não contar a outras pessoas sobre as agressões. As crianças foram encaminhadas para avaliação psicológica. Segundo a investigação, apenas uma delas conseguiu conversar, ainda que pouco, com a perita. As demais se recusaram a falar. Conforme a polícia, os filhos teriam sido ensinados pelos pais a não conversar com outras pessoas e a esconder as marcas de agressões. Mãe estava no quarto ao lado Além das agressões praticadas ao longo dos anos, a Polícia Civil concluiu que a mãe deve responder pelo homicídio de Oliver por omissão. Segundo o inquérito, Mayanna estava em um quarto ao lado no momento em que o menino era agredido. Para os investigadores, ela teria condições de ouvir o que acontecia e não teria tomado nenhuma atitude para impedir as agressões. A polícia considera que a estrutura da residência — uma casa pequena, de madeira e sem portas, com lençóis cobrindo as aberturas —, além da intensidade e da duração das agressões, torna pouco crível que ela não tenha ouvido os gritos da criança. A investigação também aponta que a mãe teve outras oportunidades, ao longo dos anos, para procurar ajuda. Polícia não indicia rede de proteção A Polícia Civil, porém, não identificou elementos para responsabilizar criminalmente os agentes da rede de proteção do município de Viamão. Segundo a investigação, não foi identificada atuação dolosa. A delegada justificou que essa condição é exigida pelo Direito Penal para a configuração de crime. A família já era acompanhada pelo Conselho Tutelar de Viamão havia cerca de oito meses, desde novembro de 2025, mas a guarda não foi retirada. Havia também histórico anterior de acompanhamento e denúncias em outros estados, incluindo São Paulo e Santa Catarina. Violência contra a mulher O inquérito aponta ainda que D’andre teria