Caso Ana Clara: Jovem que teve mãos decepadas quer ser voz para vítimas de violência doméstica
AI Summary
Ana Clara Antero de Oliveira, a young woman from Ceará, Brazil, who suffered severe mutilation in a domestic violence attack, aims to use her experience to advocate for victims. After being hospitalized for nearly a month, she has expressed hopes of regaining hand movement to communicate with her deaf mother and urges other women to seek help.
Jovem que teve mãos decepadas afirma que quer ser voz para vítimas de violência doméstica. A jovem Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, disse que pretende usar a própria luta para representar e ajudar mulheres vítimas de violência doméstica. Ela teve uma mão decepada e a outra semimutilada em uma tentativa de feminicídio em Quixeramobim, no interior do Ceará. Ana Clara recebeu alta médica no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, nesta sexta-feira (29). Ela ficou 28 dias internada no hospital. O namorado e o cunhado da vítima, Evangelista Rocha dos Santos e Ronivaldo Rocha dos Santos, réus pelo crime, estão presos. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp “Eu já estou saindo daqui [do IJF] sendo uma voz para as mulheres. Eu hoje, Ana Clara, posso dizer que estou aqui para ajudar todas vocês, e eu vou ser uma voz para vocês”, declarou a jovem. “Gratidão pela empatia das pessoas, pelo apoio que eu estou tendo, e principalmente por mulheres me mandaram mensagens, que, depois que viram o meu caso, conseguiram sair de um relacionamento abusivo”, reforçou. LEIA TAMBÉM: Agiotagem e drogas: conversas entre acusados de decepar mãos de jovem sugerem participação em outros crimes Vídeos mostram diálogo entre irmãos que deceparam mão de jovem: ‘Tu matou?’ 'Estava consciente o tempo todo', diz Ana Clara sobre tentativa de feminicídio em que teve mãos decepadas pelo cunhado Ana Clara, que era aluna do 4º semestre do curso de Nutrição, abandonou os estudos e deixou de ir para a academia, algo que ela gostava bastante de fazer, para tentar evitar brigas com o companheiro. Por isso, ela alertou outras mulheres. “Vocês que passam por alguma agressão, qualquer sinal que vocês virem, se saiam, denunciem. Nenhuma mulher merece passar por isso. Então, criem forças. Se vocês não querem ficar nessa situação, ou até mesmo pior, se saiam. Eu sei que não é fácil, porque eu tentei várias vezes, mas você consegue". Comunicação com a mãe Jovem atacada com foice sonha em voltar a mexer mãos para falar em Libras com a mãe. Ana Clara Antero de Oliveira tem um motivo a mais para sonhar em movimentar as mãos como fazia antes da tentativa de feminicídio que sofreu. A mãe da jovem possui deficiência auditiva, e elas se comunicavam em Libras. Ana Clara foi atacada pelo cunhado após uma briga com o ex-namorado em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, no último dia 1º de maio. “[Não conseguir falar com a mãe] é algo que me deixa um pouco triste, mas eu tenho certeza que as pessoas da minha família que vivem ao meu redor vão conseguir me ajudar a se comunicar com ela”, disse Ana Clara na saída do hospital. “Mas eu não vejo a hora de poder estar com meus movimentos 100%, para poder voltar a me comunicar com a minha mãe. Até porque eu sou a filha dela e eu sou a pessoa que ela mais me entende”, reforçou a jovem. Aplaudida na alta Jovem é aplaudida por equipe médica, funcionários e acompanhantes ao receber alta. Ana Clara saiu aplaudida por profissionais da unidade e acompanhantes de pacientes. A jovem se recuperava no Instituto Doutor José Frota (IJF), onde recebia atendimento multidisciplinar, formado também por psicólogos e assistentes sociais. Os irmãos Ronivaldo e Evangelista foram presos e se tornaram réus por tentativa de feminicídio, e o Ministério Público pediu uma indenização de R$ 97 mil para a jovem. Histórico de agressões O relacionamento de Ana Clara com Ronivaldo começou há pouco menos de dois anos. Em entrevista à TV Verdes Mares, ela contou que o namorado passou a manifestar, com o tempo, agressividade em momentos de ciúmes ou irritação. “Muito ciúmes, não deixava mais eu ir pra academia, não deixava eu estudar mais, era eu fazendo as vontades dele. E eu fazia as vontades dele porque eu imaginava assim: ‘Não, eu vou fazer as vontades dele porque aí a gente não vai brigar. Mas eu vou deixar de viver minha vida pra viver a vida dele, as coisas dele, e vou esquecer de mim’. [...] Mas parece que, quanto mais eu fazia isso, mais existia briga”, partilhou Ana Clara. A jovem cresceu com os familiares no distrito de Nenelândia, em Quixeramobim. Aos 15 anos, a família passou a morar mais perto do centro da cidade. Ela relembra que, antes de decidir se mudar para morar com Ronivaldo, ela já havia sido agredida por ele. Segundo Ana Clara, isso aconteceu porque o então companheiro atuava como agiota e pretendia cobrar a dívida de uma mulher que estava grávida. Ronivaldo não teria reagido bem quando a namorada tentou interferir. “Ele se revoltou, deu um murro na minha boca. Eu cheguei lá na minha mãe num choro... Não esperava por aquilo, não esperava. Nessa época, a gente não morava juntos. [...] E, mesmo assim, eu tentei insistir em levar mais pra frente, porque [o relacionamento] tava no início, eu imaginei que tinha sido coisa assim da cabeça dele, que teria sido algo do momento", relatou. Jovem que teve mãos decepadas deixou estudos e academia para evitar brigas com namorado Nos últimos meses, os epi