Brasileiro vítima de tráfico humano relata fuga em Madagascar e luta para voltar para casa com outros 22: 'Estavam vendendo a gente'

🌐 Globo (MG) —
Brasileiro vítima de tráfico humano relata fuga em Madagascar e luta para voltar para casa com outros 22: 'Estavam vendendo a gente'

AI Summary

A Brazilian man and 22 others were victims of human trafficking in Madagascar after responding to false overseas job offers. They are currently stranded in Antananarivo without passports or funds, seeking repatriation and consular assistance amid threats and psychological pressure from traffickers reportedly led by Chinese criminals.

Brasileiros são vítimas de tráfico humano após falsas vagas de emprego Arquivo Pessoal “Eu achei que não ia realmente estar vivo, porque, por vários momentos, tive a arma apontada para mim. Estavam vendendo a gente.” Foi assim que um paulistano de 27 anos descreveu o que passou depois de descobrir que a vaga de emprego no exterior para a qual havia sido recrutado fazia parte de uma rede de golpes financeiros. O jovem, que pediu para não ser identificado, afirma ter sido vítima de tráfico humano, ter sofrido pressão psicológica e ter sido ameaçado com armas durante uma tentativa de fuga em Madagascar. Ele é um dos 23 brasileiros de diferentes estados que estão em Antananarivo, capital de Madagascar, na África, depois de conseguirem escapar da organização criminosa que, segundo os relatos, era comandada por chineses. Agora, o grupo tenta voltar ao Brasil, mas afirma estar sem os passaportes, que ficaram em poder das autoridades locais, e sem dinheiro para comprar as passagens. Um e-mail para o Itamaraty foi enviado em 29 de agosto pedindo repatriação, salvaguarda de passaportes e assistência consular. "Estão todos assustados, querendo voltar para casa. Mas não estamos recebendo ajuda de quem deveria estar dando, que é o consulado e o Itamaraty. Estamos com medo e tendo que nos virar sozinhos. Tem gente de vários estados e cerca de cinco mulheres", afirmou. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio da Embaixada do Brasil em Maputo, capital de Moçambique, responsável pelas relações com Madagascar, "vem prestando a assistência consular cabível aos nacionais e mantendo interlocução com as autoridades locais a respeito do caso" (veja abaixo). A falsa promessa de emprego Ao g1, o paulistano contou que procurava emprego quando encontrou, em um grupo no Telegram, uma oferta de trabalho no exterior. “Eu estava pesquisando empregos porque queria uma fonte de renda boa. Eu tinha perdido minha habilitação e não estava conseguindo emprego em São Paulo. Então fui procurar na internet. Nisso, caí em um grupo no Telegram que oferecia vaga de emprego no exterior.” A proposta, segundo ele, parecia legítima: a empresa pagaria passagem, alimentação e moradia, além de oferecer treinamento. Inicialmente, o trabalho seria no suporte de aplicativos, que poderiam envolver jogos e apostas. “Eu vim naquela ilusão de tipo: ‘Estou sem emprego, provavelmente vou conhecer um novo país, uma nova cultura, vou ter uma moradia, vou ter uma alimentação, vou ter um salário, vou conseguir resolver minha vida no Brasil e vou voltar no fim disso com algum dinheiro no bolso’.” Da falsa vaga ao Camboja A pequena cidade de Sihanoukville, no litoral sul do Camboja Getty Images O destino informado aos brasileiros era o Camboja, no sudeste asiático. Ele chegou ao país em meados de abril e foi recebido no aeroporto. Segundo o relato, um policial o ajudou a passar pela imigração e, depois, ele foi levado de carro para o local onde funcionaria a suposta empresa, próximo à fronteira com a Tailândia. A viagem de carro durou entre seis e oito horas. “Quando eu cheguei à empresa, onde seria essa empresa, era um prédio pequeno. Lá tinham várias pessoas de várias etnias. Tinham chineses, pessoas do próprio Camboja, brasileiros, pessoas de Angola.” Já nos primeiros dias, porém, ele percebeu que a empresa não tinha uma rotina e isso chamou sua atenção: os funcionários não tinham horários fixos, a internet foi retirada, e os trabalhadores começaram a ser transferidos. “Foi daí que eu comecei a perceber. Me perguntei: ‘Por que está se mudando?’. Aí me falaram que eles estavam fugindo da polícia, que estavam sob investigação.” O passaporte do brasileiro havia sido recolhido assim que ele chegou ao Camboja. Segundo ele, um dos responsáveis disse que o documento seria necessário para regularizar o visto. Ele só voltou a ver o passaporte quando o grupo deixou o Camboja com destino a Madagascar. Mudança para Madagascar O brasileiro conta que o grupo chegou a fugir da polícia duas vezes no Camboja. Depois, os responsáveis pela organização compraram passagens e transferiram os brasileiros para Madagascar. “Eles vieram para Madagascar porque no Camboja já estava sendo investigado muito isso e estavam sendo perseguidos. Então eles tentaram mudar realmente de lugar para ver se seguiriam funcionando.” Em Madagascar, o grupo ficou inicialmente em um hotel. Depois, foi levado a um complexo onde começou a trabalhar. Foi nesse momento que o paulistano descobriu a verdadeira atividade. “Quando chegou lá, eu entendi o que era. Eles me deram um script, um roteiro, falaram para eu estudar esse roteiro. E eu vi que era uma central de golpes, através de ligações.” Segundo o brasileiro, os golpes eram financeiros. Os trabalhadores precisavam permanecer horas em ligação com as vítimas para tentar obter dinheiro e, em alguns casos, continuar monitorando essas pessoas por dias para descobrir se tinham mais recursos. Militares de Madagascar em frente ao palácio

World Security Politics human trafficking Madagascar Brazil job scam consular assistance Chinese criminal group repatriation

Read original source →