Brasil tem menos transparência em anúncios nas redes sociais que União Europeia e Reino Unido, aponta estudo
AI Summary
A study by NetLab UFRJ and the Minderoo Centre reveals Brazil provides less transparency in tracking social media advertisements compared to the European Union and the United Kingdom. This lack of disclosure complicates monitoring political advertisement funding and influence ahead of elections.
Logos do Instagram, TikTok, Snapchat, YouTube, Facebook, Twitch e Reddit aparecem na tela de um celular, nesta ilustração feita em 9 de dezembro de 2025. REUTERS/Hollie Adams/Ilustração/Foto de arquivo. O Brasil oferece menos transparência para acompanhar anúncios publicados nas principais redes sociais do que a União Europeia e o Reino Unido, segundo um estudo desenvolvido pelo NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Minderoo Centre for Technology and Democracy, da Universidade de Cambridge. O relatório “Data Not Found: Transparência de redes sociais para a integridade da informação” comparou as condições de acesso a dados em 15 grandes plataformas nos três territórios. Na análise específica sobre publicidade, foram avaliadas 14 delas — o Bluesky ficou de fora por não ter anúncios. A conclusão dos pesquisadores é que, apesar das diferenças entre as regiões, a falta de acesso significativo aos dados ainda é predominante. O problema ganha importância em um ano eleitoral. Sem informações sobre quais conteúdos são patrocinados, quanto dinheiro é gasto, quem paga e qual público recebe os anúncios, pesquisadores, autoridades e a sociedade têm mais dificuldade para acompanhar a influência do dinheiro sobre o debate político nas plataformas. No caso de Facebook e Instagram, por exemplo, a transparência de dados de publicidade foi classificada como “insuficiente” no Brasil, “limitada” na União Europeia e “significativa” no Reino Unido. A diferença aparece também em outras plataformas. No Brasil, o acesso a dados publicitários do TikTok foi classificado como indisponível, enquanto na União Europeia e no Reino Unido ficou no nível “limitado”. No YouTube, a transparência foi considerada “insignificante” no Brasil, “limitada” na UE e “insuficiente” no Reino Unido. No X, antigo Twitter, o acesso foi classificado como indisponível no Brasil. O estudo divide as plataformas em seis categorias: significativo, limitado, insuficiente, precário, insignificante e indisponível. A metodologia considera não apenas se alguma ferramenta de transparência existe, mas também a qualidade, granularidade e condições de acesso aos dados. Índice de transparência das redes sociais Arte/g1 Principal ferramenta Na prática, a Biblioteca de Anúncios da Meta se tornou uma das principais ferramentas disponíveis para acompanhar o dinheiro usado para promover conteúdo político no Brasil. A própria Meta permite anúncios sobre temas sociais, eleições e política, desde que os responsáveis cumpram a legislação e passem pelos procedimentos de autorização exigidos pela plataforma. Google, TikTok e X adotam políticas diferentes no Brasil: o Google proíbe anúncios enquadrados como conteúdo político-eleitoral pela regulamentação brasileira; o TikTok afirma não permitir publicidade política paga; e o X proíbe anúncios de campanha política direcionados ao Brasil. Para Débora Salles, coordenadora-geral de pesquisa do NetLab UFRJ, essa combinação criou uma situação em que a Meta concentra o mercado formal de publicidade político-eleitoral submetido às regras de transparência da Justiça Eleitoral. Segundo ela, hoje existe uma espécie de “monopólio da publicidade político-eleitoral” nas redes da Meta. O fato de outras plataformas declararem que não aceitam esse tipo de anúncio, porém, não significa necessariamente que conteúdos de natureza política nunca sejam promovidos nelas, afirma a pesquisadora. Salles cita o Google como exemplo. A política oficial da empresa proíbe no Brasil anúncios sobre eleições, partidos, candidaturas, propostas de governo e outros assuntos relacionados ao processo eleitoral. Segundo a pesquisadora, conteúdos que escapam da identificação ou da fiscalização podem continuar sendo veiculados, mas se tornam muito mais difíceis de acompanhar porque essas plataformas não mantêm ferramentas voltadas à publicidade política com o mesmo nível de consulta disponível na Meta. “Na verdade, se criou um mercado paralelo de publicidade política nas redes”, afirma Salles. Segundo ela, nesses casos, pesquisadores acabam encontrando exemplos pontuais, mas não conseguem fazer uma coleta sistemática que permita medir a dimensão do fenômeno. Ter uma biblioteca não significa transparência total Mesmo a Meta, porém, está longe de receber a nota máxima no Brasil. No índice desenvolvido pelo NetLab e Cambridge, Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp recebem classificação “insuficiente” para transparência de publicidade no país. Os mesmos serviços da Meta alcançam o nível “limitado” na União Europeia e “significativo” no Reino Unido. Para os pesquisadores, a diferença entre as regiões é um exemplo de “transparência seletiva”, em que o volume e a qualidade dos dados oferecidos pelas empresas variam conforme as exigências regulatórias a que elas estão submetidas. O relatório aponta que o Brasil apresenta de forma consistente níveis mais baixos de acesso, enquanto os resultados do Reino Unido ficam mais próximos dos registrados na