Brasil lança 'mapas do caminho' para incentivar os países a diminuírem o desmatamento e o uso dos combustíveis fósseis

🇧🇷 Globo (BR) —
Brasil lança 'mapas do caminho' para incentivar os países a diminuírem o desmatamento e o uso dos combustíveis fósseis

AI Summary

As Brazil prepares to hand over the COP presidency to Türkiye, it presented roadmaps urging countries to reduce deforestation and dependence on fossil fuels. The proposals call for greater forest financing and country-specific energy-transition pathways, although Brazil’s continued interest in oil exploration has highlighted tensions in its climate policy.

Antes de passar o bastão da presidência da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) para a Turquia, o Brasil entrega dois documentos - chamados de mapas do caminho - que apontam maneiras de os países conseguirem pôr fim ao desmatamento de florestas e para diminuírem a dependência dos combustíveis fósseis. O evento de apresentação à imprensa foi realizado nesta terça-feira (3), no escritório do PNUD no Brasil. O documento que trata do desmatamento sugere ações coordenadas dos países e também o financiamento para a manutenção das florestas em pé. Esse, aliás, é o principal entrave para se chegar a um objetivo satisfatório no que se refere à redução do desmatamento. A ONU estima que seria necessário triplicar os investimentos atuais até 2030 para que sejam alcançados resultados positivos. Já o mapa do caminho para a diminuição do uso dos combustíveis fósseis leva em consideração os diferentes estágios e condições em que cada país se encontra no avanço da transição e sugere formas de implementação. É a primeira vez que a presidência de uma COP chama para si temas que não obtiveram consenso durante a Conferência. No caso dos combustíveis fósseis, o governo brasileiro tentou incluir a transição energética nas negociações, mas não teve êxito na época. Ao responder críticas sobre o risco de os documentos não saírem do papel, André Corrêa do Lago afirmou que o material servirá como contribuição para o novo balanço global das ações climáticas que começará na COP31, em Antália. E que os mapas do caminho não serão “letra morta”, ainda que os dois assuntos, petróleo e florestas, tendam a ficar de fora das negociações nesta edição. Um outro ponto que foi frisado por Corrêa do Lago, é que os mapas servem como guias e que levam em consideração que os países têm realidades muito diferentes entre si. "O mapa do caminho é uma coisa que começa com todos, começa mostrando que as circunstâncias são diferentes em cada país. Importante a gente começar essa discussão sabendo que não há condições similares e cada um tem que encontrar o seu caminho", afirmou. Ao defender a iniciativa, a ex-ministra do Meio Ambiente, a deputada Marina Silva, afirmou que o documento representa um legado da presidência brasileira da COP30 e um esforço para evitar que o aquecimento global ultrapasse limites considerados perigosos. A ministra também defendeu que a queda recente do desmatamento demonstra que avanços são possíveis e afirmou que o próximo objetivo é alcançar o desmatamento zero. Para o Brasil, os temas trazidos nos mapas do caminho também mostram incoerências internas, uma vez que o país realiza estudos para a exploração de novos poços de petróleo na Foz do Amazonas. Segundo o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o Brasil segue com os investimentos em matrizes limpas de energia, mas não pode negar o potencial natural existente em um mundo ainda dependente de combustíveis fósseis. “Não existe perspectiva, no curto prazo, de se abandonar combustíveis fósseis, infelizmente. O desafio do Brasil é avançar fortemente nas matrizes limpas, mas ainda há a perspectiva de um recurso que ainda é importante”, disse. Ainda de acordo com o ministro, os documentos serão apresentados ao presidente Lula antes da ida para a COP31. A expectativa é que o presidente esteja na conferência, na Turquia, nos dias 11 e 12 de novembro. Além disso, Ana Toni, diretora-executiva da COP30, destacou que os avanços da agenda de ação entre a COP30 e a COP31 serão consolidados em um relatório a ser apresentado durante a próxima conferência. Ainda que os novos documentos não sejam de adesão obrigatória, a expectativa de ambientalistas é que ele sirva, ao menos, para pressionar países que se recusam a avançar na implementação do Acordo de Paris alegando falta de capacidade.

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