Auditor-fiscal acusado de receber propina em esquema de importação no aeroporto de Fortaleza tentou jogar celular no sanitário durante prisão

🇧🇷 Globo (BR) —
Auditor-fiscal acusado de receber propina em esquema de importação no aeroporto de Fortaleza tentou jogar celular no sanitário durante prisão

AI Summary

A corruption and money laundering scheme was uncovered at Fortaleza Airport involving auditor-fiscal Francisco Eliezer Viana da Silva, who allegedly accepted bribes to fraudulently manipulate import declarations. Authorities arrested multiple suspects, conducted searches, and seized luxury assets and significant illicit funds linked to the criminal organization.

Operação mira esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no Aeroporto de Fortaleza O auditor-fiscal Francisco Eliezer Viana da Silva, suspeito de receber R$ 6,8 milhões em propina de um esquema para fraudar importações no Aeroporto de Fortaleza, teria tentado jogar o próprio celular no vaso sanitário ao perceber a chegada dos agentes da Polícia Federal que realizaram sua prisão nesta terça-feira (25). A informação foi repassada ao g1 por uma fonte relacionada às investigações. Além de Eliezer, dois empresários foram presos na Bahia: Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos. As capturas ocorreram na Operação Snooker 2, que também cumpriu 15 de busca e apreensão, além de apreensão de bens como carros e relógios de luxo. As ações ocorreram nas cidades de Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará; e em Salvador, na Bahia. Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Segundo apuração do g1, a equipe enviada para cumprir o mandado de prisão contra Eliezier precisou arrombar o apartamento do servidor porque ele não atendeu ao chamado para abrir a porta. Quando a equipe entrou no imóvel, descobriu que ele teria jogado o aparelho celular na caixa de água do vaso sanitário. O equipamento foi recuperado, mas ainda não se sabe se será possível restaurar os arquivos. Francisco Eliezer é servidor concursado da Receita Federal desde 1994. Ele estava no cargo no Aeroporto de Fortaleza desde dezembro de 2016 e tinha um salário mensal de mais de R$ 30 mil. Em junho de 2026, quando já era investigado, ele chegou a receber R$ 44 mil devido a gratificação natalina. O auditor-fiscal atuava no gabinete da inspetoria do aeroporto e é suspeito de interferir irregularmente em despachos aduaneiros e fornecer informações e orientações sigilosas sobre comércio exterior. Em troca, ele recebia vantagens como a propina. Ele é apontado como chefe da organização criminosa, com atuação desde pelo menos 2020. Segundo a investigação, o grupo importava itens caros, como prata e eletrônicos, e os declarava como itens de menor valor com o objetivo de burlar a fiscalização aduaneira, pagar menos impostos e lucrar mais. Para isso, eles contavam com a atuação direta de Francisco Eliezer no fornecimento de informações, obtenção de laudos periciais falsos e até mesmo interferência direta na fiscalização. LEIA TAMBÉM: Entenda como era o esquema de fraude em importação com propina milionária As investigações identificaram movimentações superiores a R$ 27 milhões entre empresas ligadas ao esquema, de acordo com a Receita Federal. O grupo também teria adquirido aproximadamente R$ 31,8 milhões em criptoativos, sem compatibilidade com as receitas formalmente declaradas. PF faz operação contra fraudes em importações no Aeroporto de Fortaleza PF/Divulgação Os alvos da operação poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação. Até o momento, o grupo já teve mais de R$ 26 milhões bloqueados em contas bancárias de empresas e pessoas físicas envolvidas nas atividades criminosas, além da apreensão de veículos importados e de uma embarcação de luxo. Ao g1, o advogado de defesa de Francisco Eliezer, Marcelo Oliveira, afirmou ter recebido com surpresa a decisão pela prisão do auditor-fiscal, uma vez que ele já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão anteriormente e havia sido denunciado formalmente pelo Ministério Público, e nenhum fato novo teria ocorrido desde então. O advogado afirmou que, nesse momento, está tomando "todas as medidas jurídicas necessárias para reverter a prisão decretada, para além da demonstração da sua inocência, junto à ação penal". A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos empresários Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos. Como atuava o grupo criminoso Empresários e funcionários da Receita são alvos de operação por fraudes em importações Segundo as investigações, o grupo era hierarquizado e dividido em quatro núcleos: público, empresarial, financeiro e auxiliar. As tarefas eram divididas entre um agente público, empresários do setor de importação e pessoas responsáveis por movimentar e ocultar os recursos ilícitos. No centro do esquema estaria o auditor-fiscal Francisco Eliezer, da Receita Federal. Ele teria fornecido informações e orientações sigilosas sobre comércio exterior em benefício de empresas importadoras e despachantes aduaneiros. O grupo funcionava em duas frentes: Umas delas envolve uma empresa importadora, administrada por um empresário cearense, que importava joias de prata e declarava os produtos como semijoias ou bijuterias de metal comum, de valor tributário muito inferior. Conforme a denúncia, o empresário recebia apoio de Eliezer para obter laudos periciais fraudados que atestavam falsamente a natureza do material. A segunda frente envolve um casal de empresários de nacionalidade chinesa, também à frente de outra importadora. O casal subfaturava produtos eletrônicos para reduzir o pagamento de

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