'Aqui você tem um amigo' e 'eu toco por aqui': mensagens revelam relação de Castro com dono da Refit

🇧🇷 Globo (BR) —
'Aqui você tem um amigo' e 'eu toco por aqui': mensagens revelam relação de Castro com dono da Refit

AI Summary

Evidence from phone messages indicates a close relationship between former Rio de Janeiro governor Claudio Castro and Ricardo Magro, owner of the Refit group. The messages and investigations suggest Castro might have acted to favor Refit's interests, with direct contacts to expedite administrative requests and regulate the group's activities.

O empresário Ricardo Magro e o ex-governador Claudio Castro. Reprodução/Acervo Pessoal/TV Globo Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-governador do Rio Cláudio Castro mostram uma relação de proximidade com o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. As mensagens estão na decisão sobre a operação Sem Refino 2, que teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O documento aponta uma série de condutas e indícios de que o ex-governador Cláudio Castro atuou diretamente para favorecer os interesses do Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), liderado por Ricardo Magro. Em uma delas, Castro afirma a Magro: “Aqui você tem um amigo. Saiba disso”. Contatos diretos do então chefe do Executivo fluminense com representantes da empresa para tratar de interesses do grupo junto ao governo do estado também são descritos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Em outra troca de mensagens, desta vez com um advogado ligado aos interesses da Refit, o então governador se dispõe a ajudar a viabilizar uma reunião para tratar da regularização fiscal da refinaria e diz: “Eu toco por aqui”. Os diálogos fazem parte do material apreendido pela PF na primeira fase da Operação Sem Refino e são citados em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou novas buscas e quebras de sigilo na investigação. O g1 busca contato com Cláudio Castro. Troca de mensagens de Castro e Magro obtidas pela PF Reprodução/TV Globo Segundo a PF, os dados extraídos do telefone de Castro mostram que a relação dele com a Refit “não se limitava ao contato protocolar inerente ao relacionamento entre autoridades públicas e agentes econômicos”. Para os investigadores, havia um “canal direto e privilegiado” entre Castro, Ricardo Magro e representantes da empresa. Esse contato, segundo a PF, permitia o acompanhamento pessoal de pedidos administrativos, a facilitação de agendas e o monitoramento da tramitação de demandas consideradas estratégicas para o grupo. A decisão não representa uma condenação de Castro, Magro ou dos demais investigados. As afirmações sobre a atuação do grupo reproduzidas por Moraes são conclusões da investigação da Polícia Federal. ‘Aqui você tem um amigo’ Justiça decreta falência das empresas do grupo Refit no RJ Um dos elementos destacados pela PF é a relação pessoal entre Castro e Ricardo Magro. A investigação analisou mensagens trocadas após uma viagem de Castro a Nova York. Segundo a PF, Magro foi o responsável pela organização de um evento do qual o então governador participou e atuou como uma espécie de “cicerone” durante a viagem. A PF afirma que a viagem foi patrocinada pela Refit e que Castro esteve à mesa com Magro. Secretários estaduais também teriam se reunido com o empresário. Na mesma passagem pelos Estados Unidos, Castro cumpriu agendas com autoridades americanas, entre elas representantes da Drug Enforcement Administration (DEA), para buscar apoio à proposta de classificar facções criminosas do Rio como organizações narcoterroristas. Após a primeira fase da Operação Sem Refino, Castro confirmou, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que participou do evento em Nova York, mas negou envolvimento com Ricardo Magro. Foi nesse contexto que a PF analisou o celular apreendido com o ex-governador. Segundo os investigadores, as conversas trocadas depois da viagem indicam que Magro havia organizado o evento e demonstram uma relação de amizade entre os dois. Foi em uma dessas mensagens que Castro afirmou ao empresário: “Aqui você tem um amigo.” Para a PF, o conteúdo contrasta com a versão apresentada posteriormente por Castro sobre sua relação com o dono da refinaria. ‘Eu toco por aqui’ A investigação também encontrou conversas de Castro com Marcos Joaquim Gonçalves Alves, advogado que, segundo a PF, atuava diretamente nos interesses da Refit. Nesse caso, os investigadores afirmam que os diálogos mostram um “canal de comunicação privilegiado entre o representante do grupo econômico e o então governador”. De acordo com a PF, Marcos Joaquim tratou diretamente com Castro, em diferentes ocasiões, de demandas administrativas da Refit no estado e recebeu orientações sobre protocolos, reuniões e a tramitação de processos. Em uma dessas conversas, o advogado procurou o então governador para viabilizar uma reunião destinada à regularização fiscal da Refit. Castro respondeu que a reunião poderia ser realizada e acrescentou: “Eu toco por aqui.” Segundo a PF, a frase indicaria uma atuação pessoal do governador em um assunto de interesse direto do grupo empresarial. Cobrança por andamento de pedido As conversas analisadas pela PF mostram ainda, segundo a decisão, que Castro acompanhava pessoalmente pedidos apresentados pela Refit a órgãos estaduais. Depois que uma petição da empresa foi protocolada na Casa Civil, Marcos Joaquim procurou repetidas vezes o governador p

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