Após manifestações de estudantes de ensino médio, universidades aderem a bloqueios na França

🇫🇷 Globo (FR) —
Após manifestações de estudantes de ensino médio, universidades aderem a bloqueios na França

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Estudantes de ensino médio e universitários ampliaram os bloqueios e protestos na França, exigindo mais recursos para a educação e a substituição de professores ausentes. A mobilização ocorre em meio a uma onda de greves e manifestações de servidores, com detenções, feridos e confrontos com policiais.

Alunos universitários e de ensino médio protestam na França. Abdul Saboor/Reuters Cerca de 30 universidades aderiram nesta quinta-feira (1º) ao movimento de bloqueio de escolas de ensino médio que se espalha pela França, ampliando uma mobilização iniciada há cerca de uma semana. Segundo a União Estudantil, campi estão bloqueados em Paris, Estrasburgo, Marselha, Lyon, Reims, Poitiers e Nanterre, entre outras cidades. O sindicato classificou a adesão como “histórica”. Os acessos estão impedidos, mas as universidades podem manter as aulas à distância. Os estudantes do ensino médio reivindicam principalmente a substituição de professores ausentes e mais recursos para a educação. A adesão dos universitários é apresentada pelos sindicatos estudantis como o “ato dois” da mobilização, que ganhou força nos últimos dias e foi marcada também por episódios de violência. O movimento atingiu 356 escolas na quarta-feira (30), contra 338 na terça, segundo o Ministério do Interior. Naquele dia, 625 pessoas foram detidas e 83 policiais e gendarmes ficaram feridos. Desde o início dos bloqueios, 119 estudantes e funcionários de escolas foram feridos, segundo o balanço divulgado pelo ministro da Educação francês, Édouard Geffray. Nesta quinta-feira, os bloqueios continuavam em Paris, Marselha (sul), Estrasburgo (leste) e Rennes (noroeste).  “Eles não nos escutam, somos obrigados a sair às ruas”, disse à AFP Lola, estudante do segundo ano do ensino médio. Ela citou jornadas de 8h às 18h, professores que não são substituídos e turmas sem professor responsável entre os motivos da mobilização. Agora no g1 Em Estrasburgo, cerca de 500 quilômetros a leste de Paris, centenas de estudantes, muitos vestidos de preto, bloquearam a circulação diante da escola Couffignal, inclusive o tráfego de bondes. Grandes contêineres de lixo foram colocados no chão e incendiados. Aumento da tensão social, greve e protesto estudantil Neste semana, a França enfrenta uma onda de protestos, com greve de servidores públicos e confrontos entre estudantes e policiais. A situação atingiu o ápice a poucos dias da apresentação do orçamento e a poucos meses de uma eleição presidencial na qual a extrema direita aparece como favorita. Na terça-feira (29), cerca de 200 mil manifestantes foram às ruas em todo o país, dos quais quase 30 mil em Paris, segundo o Ministério do Interior. Mais de 170 marchas foram convocadas para reivindicar reajustes dos salários dos servidores, corroídos pela inflação, e "recursos orçamentários à altura" das necessidades da administração pública. "Mesmo com 40°C, nossos salários continuam congelados", dizia um cartaz na marcha em Lyon, após um verão de calor intenso que pôs à prova os bombeiros e o sistema de saúde. "Estamos nos manifestando hoje porque precisamos ser recebidos pelo ministro", disse Nicolas March, bombeiro de 52 anos que chegou com seus colegas à Praça da Bastilha, em Paris, sob os aplausos dos demais manifestantes. As reivindicações dos servidores incluem a perda do poder de compra, o número insuficiente de funcionários, a deterioração das condições de trabalho e, em alguns casos, a precariedade diante dos cortes orçamentários. Manifestações de alunos de ensino médio na França. Noemie Olive/Reuters Conflitos em mobilização estudantil Estudantes do ensino médio, que protestam desde a semana passada por melhores condições na educação, protagonizaram um dia de confrontos violentos na terça-feira. Grupos de adolescentes incendiaram contêineres de lixo e lançaram objetos contra a polícia, que respondeu com golpes de cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo. Os conflitos levaram à detenção de 440 pessoas, informou o Ministério do Interior. Também houve feridos, entre eles dez funcionários e vários alunos. O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou a abertura de ações judiciais pelos atos de violência. "Essa violência é indescritível (...) Legitimá-la ou pedir, neste contexto, que os bloqueios sejam ampliados é colocar em perigo tanto nossos alunos quanto os servidores públicos", escreveu na rede X. Os estudantes mantinham bloqueios e protestos em centenas de escolas de ensino médio pelo país. Suas queixas abrangiam a organização dos horários, o tamanho das turmas, a falta de professores e as salas de aula superaquecidas durante as recentes ondas de calor. Alunos da França fazem protestos com foto em Saint-Denis, próximo a Paris. Abdul Saboor/Reuters Violência e investigações Alguns episódios de violência registrados durante os bloqueios levaram à abertura de três investigações pela IGPN, órgão que investiga a atuação da polícia. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, as investigações dizem respeito a incidentes ocorridos em Sevran, na região parisiense, Saint-Ouen-l'Aumône, no Val-d'Oise, norte de Paris, e na cidade de Tours, no centro-oeste da França. Em Tours, um estudante ficou ferido na cabeça na quarta-feira e foi hospitalizado. Segundo o Ministério Público, suas lesões são “compatíveis” com um disparo de

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