Acre despejou 57 milhões de litros de esgoto sem tratamento por dia em rios em 2024, alerta estudo

🇧🇷 Globo (BR) —
Acre despejou 57 milhões de litros de esgoto sem tratamento por dia em rios em 2024, alerta estudo

AI Summary

In 2024, Acre in Brazil discharged 57.1 million liters of untreated residential sewage daily into rivers and streams, largely due to only 11% of its population having sewage collection and just 25% of consumed water treated. The study highlights environmental pollution and infrastructure deficits, with plans underway to improve treatment systems in partnership with Caixa Econômica Federal.

Acre tem 55% da população sem água potável e 89% sem coleta de esgoto, diz Trata Brasil Foram despejados 57,1 milhões de litros de esgoto residencial sem tratamento foram despejados diariamente em rios e córregos no Acre em 2024, conforme um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil nessa terça-feira (11). O total despejado equivale a cerca de 22,8 piscinas olímpicas, por dia O alerta consta no levantamento "Benefícios econômicos da expansão do saneamento básico no Acre", que analisou exclusivamente o cenário do serviço entre 2000 e 2024 no estado. No período, mais de 300 mil moradores passaram a ter água tratada. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Conforme o documento, o volume de rejeitos despejados nas águas da capital representa uma média de 64,8 litros de esgoto por habitante a cada dia. O cenário é resultado do baixo acesso da população ao sistema de esgotamento sanitário. ♻️ A falta de infraestrutura adequada aumenta a poluição de rios e córregos e afeta também municípios localizados abaixo nas bacias hidrográficas. Além da falta da devida coleta, somente 25% do volume de água consumido no estado acreano recebe tratamento adequado antes de ser devolvido ao meio ambiente. Na prática, segundo a pesquisa, o estado conta majoritariamente com sistemas que apenas afastam o esgoto das áreas urbanas, sem garantir o tratamento adequado. Com isso, as bacias hidrográficas acreanas recebem uma carga poluidora estimada em 20,8 milhões de metros cúbicos por ano. LEIA MAIS Contas de água e esgoto têm reajuste de mais de 6% a partir de junho em Rio Branco Por que a água não escoa? Especialista explica enxurradas em bairros de Rio Branco Acre é o estado que menos investe em saneamento no país, aponta estudo O g1 entrou em contato com o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Rio Branco (Semeia) e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta. Já o Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) disse em nota que, apesar do órgão passar por um processo de reestruturação, o estado investiu cerca de R$ 16 milhões em máquinas e equipamentos em 2026 e ampliou mais de 40 km de redes de abastecimento nos últimos quatro anos. "Na parte de esgotamento sanitário, o Saneacre tem em andamento a elaboração do projeto do sistema de coleta e tratamento de esgoto de Cruzeiro do Sul em parceria com a Caixa Econômica Federal (cerca de R$1milhão para elaboração do projeto)", diz parte da nota. (Veja mais abaixo) Em 2025, enchente evidenciou a falta de descarte correto de esgoto na capital Eldérico Silva/Rede Amazônica Déficit no atendimento Além disso, a pesquisa explica que o déficit de saneamento no Acre está muito acima da média brasileira. Enquanto 44,8% da população do país não tem acesso à coleta de esgoto, no Acre o índice chega a 89%. A situação também varia entre as regiões do estado. Segundo dados do estudo, as regiões de Brasiléia, Sena Madureira, Cruzeiro do Sul e Tarauacá, no interior do Acre, apresentam déficit de 100% na coleta de esgoto. A exceção é apenas Rio Branco, que apresenta um melhor nível de cobertura. Enquanto 15.638 mil m³ de água são consumidos na capital, que equivalem a cerca de 6,25 piscinas olímpicas, cerca de 12,5 mil m³ são coletados e apenas 6,9 mil m³ são tratados. O déficit de esgotamento sanitário, de acordo com a pesquisa, é 55,5% na capital acreana. "A gente tem mais de 1,3 mil internações por doenças que poderiam ser evitadas: diarreia, dengue leptospirose, esquistossomose. A gente tem um prejuízo na vida da população, nas crianças, uma escolaridade média muito menor de 1,8 ano a menos em crianças que não têm acesso ao saneamento, uma renda do trabalhador menor", pontuou a diretora executiva do Trata Brasil, Luana Pretto, à Rede Amazônica. Nota do Saneacre Nos últimos anos, o Saneacre vem passando por um amplo processo de reestruturação, visando atender às novas exigências legais e ampliar sua capacidade de operação no estado. Na Região Norte como um todo, as dificuldades logísticas e operacionais fazem com que os serviços demandem maiores investimentos e tempo de execução, dada a baixa industrialização da região. Mesmo diante desse cenário desafiador, o governo do Estado, possui ações em andamento para a implantação de novos sistemas de abastecimento de água e uma carteira de investimentos estimada em R$ 64 milhões para os próximos anos frutos de parceria com o governo Federal. Além disso, a autarquia adquiriu aproximadamente R$ 16 milhões em máquinas e equipamentos neste ano de 2026, ampliou mais de 40 quilômetros de redes de abastecimento nos últimos quatro anos, entregou novas Estações de Tratamento de Água (ETAs) e segue implementando medidas para reduzir a inadimplência, preservando o poder econômico das famílias acreanas com responsabilidade social. Na parte de esgotamento sanitário, o Saneacre tem em andamento a elaboração do projeto executivo do sistema de coleta e tratamento de esgoto de

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