A cidade que fabrica mísseis para Trump: 'Se você não for conservador, não venha para cá'
AI Summary
Kingsport, Tennessee, is a conservative stronghold with a population deeply supportive of President Trump. The local economy is tied to the Holston Army Ammunition Plant producing explosives for Patriot missiles amid the ongoing costly US-Iran conflict, which has contributed to rising gasoline prices and declining presidential approval ratings.
O veterano David Carter, de 66 anos, é um cristão declarado que apoia a ação dos EUA no Irã. Eloise Alanna/BBC Como disse um morador local, há uma "igreja em cada rua" da comunidade apalache de Kingsport, no Estado americano do Tennessee. O cristianismo reina absoluto nesta área operária. Acima do histórico teatro Lamplight, no centro da cidade, uma placa proclama: "Jesus em primeiro lugar em todas as coisas". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp E embora mais de 300 igrejas da região abasteçam a população com energia espiritual nesta cidade de 58 mil habitantes, existe outra instituição que fornece sustentação econômica. A fábrica Holston de munições do Exército produz explosivos usados em mísseis Patriot, ogivas e outros armamentos pesados em meio à custosa e prolongada guerra do país com o Irã. A guerra e seus efeitos colaterais — com inflação de gasolina e alimentos — levaram a uma queda acentuada nos índices de aprovação do presidente Donald Trump nos EUA. Pesquisas recentes apontam sua aprovação em um mínimo histórico de 32% — uma queda de 14% em relação a quando ele assumiu o cargo em janeiro de 2025 —, com muitos entrevistados republicanos citando desilusão com as políticas do presidente. Os dois grandes fatores que prejudicam a popularidade do presidente são o custo de vida e a guerra com o Irã, com um afetando o outro. O conflito fez com que os preços da gasolina nos EUA disparassem para mais de US$ 4 por galão (R$ 5,48 por litro), um aumento doloroso para qualquer empresa americana que dependa de transporte. Mas em Kingsport, o apoio ao presidente beira o fervor religioso. A cidade votou esmagadoramente em Trump em todas as três últimas eleições. O mesmo aconteceu em todo o Tennessee, um Estado republicano há mais de 25 anos. No que diz respeito ao conflito com o Irã, a maioria dos residentes apoia abertamente a ação militar ou justifica a necessidade da guerra, apesar da promessa de campanha repetida de Trump de pôr um fim às guerras. "Se ele puder impedir que alguém tenha uma bomba nuclear, então sou a favor", diz Pam Robinson, de 65 anos, que trabalhou durante 20 anos em uma fábrica de produtos químicos local. David Carter, um veterano barbudo que interpreta o Papai Noel na época do Natal, diz: "O motivo de irmos até lá e mantermos tudo sob controle é para que o problema não chegue à nossa porta." Outros são mais diretos. "Sinceramente, acho que deveríamos transformar esses lugares em estacionamento e não nos preocuparmos mais com isso", diz o veterano James Camper, de 63 anos. Os veteranos representam cerca de 10% da população da região, e muitas outras famílias têm membros em serviço ativo nas Forças Armadas. Robinson — uma cristã fervorosa e não identificada com democratas ou republicanos que afirma que sua fé influencia suas escolhas de candidatos — acredita que a natureza remota da guerra impede que as pessoas da região fiquem mais descontentes com Trump. "Vou te dizer uma coisa: se fosse um combate corpo a corpo e mais pessoas estivessem morrendo, as pessoas estariam se revoltando", diz ela. Daniel Overstreet, de 53 anos, acredita que Trump está de mãos atadas pelo Congresso americano. Eloise Alanna/BBC A posição de Kingsport como um dos principais fabricantes de munições — com Holston sendo o único fornecedor nacional de alguns componentes essenciais de explosivos — confere aos seus residentes uma perspectiva única no que diz respeito à guerra no Irã. A fábrica emprega cerca de mil pessoas e é apenas um dos muitos complexos industriais extensos que se destacam nitidamente na exuberante paisagem das montanhas Apalaches. "A fábrica vai estar aberta, estejamos em guerra ou não", diz Daniel Overstreet, de 53 anos, ao lado de sua Harley Davidson no centro de Kingsport. "É o que é." Ele acredita que Trump e o governo estão "fazendo um ótimo trabalho", mas que há "muita gente tentando lutar contra ele". "[Ele disse] que iria controlar os preços da gasolina, e por um tempo eles conseguiram", diz Overstreet. "Ele disse que iria baixar os preços dos alimentos, mas ele não tem controle sobre isso. O presidente é basicamente um fantoche do Congresso e do Senado." "Ele está de mãos atadas, até certo ponto." Não é que as pessoas aqui não reclamem dos altos preços da gasolina e dos alimentos, da inflação e de outros problemas econômicos — é só que elas não culpam Trump por isso. "Ele se saiu bem em algumas coisas; acho que ele precisa repensar seus conselheiros", diz Robinson. "Acho que ele recebeu conselhos errados sobre alguns pontos." Foi o próprio Trump, no entanto, quem anunciou a decisão de atacar o Irã em fevereiro de 2026, após o fracasso das negociações. Em um vídeo de oito minutos publicado nas redes sociais, ele disse que "o objetivo é defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano" e afirmou que o Irã "jamais terá uma arma nuclear". O evangelista William Bogle acredita que Trump é 'imperfeito', mas foi a melhor 'alternativa'. Eloise Ala