1º imunizante com mRNA nacional pode abrir caminho para vacina contra câncer e outros tratamentos; entenda

🇧🇷 Globo (BR) —
1º imunizante com mRNA nacional pode abrir caminho para vacina contra câncer e outros tratamentos; entenda

AI Summary

Brazil prepares to test its first fully domestic mRNA Covid-19 vaccine, marking a significant milestone in national biotechnology. The country's mastery of mRNA technology may pave the way for advanced treatments, including cancer vaccines and new CAR-T therapies.

Brasil vai testar em humanos primeira vacina com mRNA com tecnologia 100% nacional Bernardo Portella O Brasil vai levar para a fase de testes sua primeira vacina de RNA mensageiro (mRNA). A tecnologia é a base para algumas das maiores promessas de tratamento na medicina, como a vacina para o tratamento do câncer, a evolução do CAR-T, entre outros. O imunizante que vai para testes clínicos é uma vacina contra a Covid-19 criada pela Fiocruz. Até aqui, o país não tinha um imunizante de mRNA feito de ponta a ponta com tecnologia 100% nacional. Chegar ao estudo clínico marca a primeira vez que pesquisadores brasileiros levam um tratamento com mRNA do laboratório até essa fase. Isso é mais do que a possibilidade da aprovação de uma vacina, mas de que cientistas brasileiros conseguiram dominar, de ponta a ponta, uma tecnologia de RNA mensageiro 100% nacional — o que abre caminho para avançar nas demais pesquisas que já vêm sendo feitas com a mesma plataforma. Para você entender: o mRNA funciona como uma plataforma. Em vez de injetar uma proteína pronta ou um vírus enfraquecido, como fazem as vacinas mais tradicionais, ela injeta uma instrução genética. Essa lógica — trocar apenas a "mensagem" entregue à célula — é o que permite adaptar a mesma plataforma para diferentes doenças. Já há em laboratórios brasileiros pesquisas 100% nacionais usando essa tecnologia, em estágios diferentes de pesquisa: Uma vacina para câncer baseada em antígenos tumorais. Nela, o mRNA faz as células do próprio paciente produzirem antígenos tumorais — proteínas específicas do câncer —, treinando o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células doentes. Um tratamento com RNA mensageiro já testado em animais fez células tumorais produzirem uma proteína capaz de induzir a própria morte do tumor, reduzindo seu volume em até 85%. Uma versão da terapia CAR-T baseada em mRNA, ainda em fase de projeto, que dispensaria a etapa de retirar e modificar células do paciente fora do corpo — a mesma pesquisa vem sendo feita no mundo e, graças a essa tecnologia, também está sendo feita no Brasil. Segundo especialistas, essa conquista deve moldar o futuro do combate a diversas doenças. "A pesquisa brasileira pode ser capaz de competir internacionalmente, produzindo inovação e desenvolvimento tecnológico no país. O mRNA pode abrir centenas de oportunidades que ainda não foram abertas e o objetivo é dominar esse conhecimento", explica Fernanda. Tecnologia de mRNA pode abrir portas para novos tratamentos no país André Rocha Como foi desenvolvida a vacina brasileira de mRNA A vacina desenvolvida pela Fiocruz contra a Covid-19 usa a mesma lógica das vacinas já existentes com RNA mensageiro para a doença: em vez de injetar uma proteína pronta do vírus ou um vírus inteiro enfraquecido, ela injeta uma instrução genética. Como ela vai funcionar: A instrução enviada no mRNA faz com que a própria célula do corpo produza, temporariamente, um pedaço do vírus — no caso, a proteína Spike, a mesma usada como alvo pelas vacinas de Covid-19 já conhecidas. O sistema imunológico reconhece a proteína como uma ameaça e desenvolve anticorpos e defesas contra ela, ficando pronto para reagir caso a pessoa tenha contato com o vírus de verdade. A vacina vai proteger contra as variantes atuais do vírus, incluindo a atualização mais recente exigida pela Anvisa para os imunizantes em uso. A diferença está na origem de cada componente: a nanopartícula lipídica que protege o RNA e a estrutura genética da vacina foram desenvolvidas inteiramente no Brasil, e não importadas ou licenciadas de laboratórios estrangeiros. E aqui está o ponto principal: essa aprovação não representa apenas um novo imunizante contra a Covid-19, mas a confirmação de que o Brasil dominou, de ponta a ponta, uma tecnologia de RNA mensageiro 100% nacional — o que abre caminho para avançar nas demais pesquisas que já vêm sendo feitas com a mesma plataforma. Com o aval da Anvisa na última semana para o início dos estudos clínicos, a vacina se torna a primeira desenvolvida integralmente no Brasil com tecnologia de mRNA a chegar a essa fase. Para os pesquisadores da Fiocruz, alcançar essa fase colocar o Brasil como pioneiro e um país que não mais depende de tecnologias, mas que transfere tecnologias. "Isso é um grande marco para o Brasil, para que a gente se posicione como líder da biotecnologia na América Latina nessa área . É um marco para a soberania do país e para a pesquisa brasileira", afirma Patrícia Neves, pesquisadora da Fiocruz e uma das responsáveis pelo desenvolvimento da vacina. O recrutamento dos participantes para a Fase 1 está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027, depois que o protocolo passar pela aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Os voluntários serão acompanhados por um ano. Vacina pode ser primeiro produto com mRNA 100% brasileiro Bernardo Portella Uma nova fronteira no desenvolvimento de tratamentos Desde a pandemia, a indústria farmacêutica vem tentando transformar

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